O Agrônomo, Fernando de Sousa Costa foi ministro da Agricultura no período de 13 de novembro de 1937 a 3 de junho de 1941. Sua gestão foi marcada pela criação do Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas (CNEPA) e os Serviços de Informação Agrícola e Economia Rural. Responsável por impulsionar a cultura de trigo, dirigiu ainda a descoberta de petróleo no país. No Estado Novo, foi interventor federal do estado de São Paulo, campus Pirassununga. Nascido em São Paulo, em 1886, faleceu em Jacareí (SP), em 1945.

O Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas (CNEPA), que se iniciou com Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (ESAMV). Criada dia 20 de outubro de 1910 pelo Decreto 8.319, assinado pelo então presidente da república Nilo Peçanha e o ministro da Agricultura Rodolfo Nogueira. Foi de suma importância para implementação da política de educação superior agronômica no Brasil no século XX. No início não tinha sede definida, circulando por várias sedes, tornando-se à primeira escola superior agropecuária federal do Brasil vinculada ao Ministério da Agricultura, entre 1913 a 1934.

Em 1938, uma sucessão de acontecimentos levou a inauguração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), na antiga “Fazenda Nacional de Santa Cruz”, as margens da antiga Rodovia Rio-São Paulo (hoje BR-465), município de Seropédica/RJ. Que era propriedade do governo federal, ficando-lhe anexa uma fazenda experimental e uma estação de ensaios de máquinas, cuja construção chegou a ser iniciada naquele mesmo ano, os primeiros estudos e exames efetuados na área demonstraram não ser o local próprio para a instalação da Escola devido ao grande charco que existia no local. Fernando Costa pediu apoio do governo federal e iniciou abertura de 10 valas utilizando 200 homens para ecoar a água que existia onde a UFRRJ foi construída. Logo após de ter eliminado o charco, deu início a terraplanagem e construção do campus da Rural.

Com a vinda para o campus da Seropédica foi criado o Centro Nacional de Ensino e Pesquisa Agronômica (CNEPA), com o projeto e obras desenvolvidos pela empresa Mario Whately & Cia. Inicialmente é montada uma comissão para acompanhar de perto o desenvolvimento do projeto, composta pelo Diretor da Escola (Heitor Grillo), pelo arquiteto Ângelo Murgel e outros técnicos. Para o diretor da escola Heitor Grillo haviam três motivos para impropriedade do local. O primeiro era a distância que “dificultaria o regime de externato estatuído no regulamento, além dos embaraços que oporia à organização do pessoal docente”. O segundo dizia respeito ao estado de ruína dos edifícios localizados na fazenda, “de modo a não permitir seu aproveitamento”. O terceiro referia-se ao solo, afirmando que não era “de natureza variada, como conviria, às terras dessa fazenda experimental”.

Posteriormente a comissão foi alterada, passando para as mãos do Ministro da Agricultura Fernando Costa, este que foi peça fundamental para o bom desenvolvimento do projeto, pois tornou-se interventor de desenvolvimento e modernização da agricultura tendo como base a educação do homem no campo. E, para todos os projetos físicos criados sob sua defesa, há algumas semelhanças, como a definição técnica das condições de implantação e a arquitetura com tendências monumentais em estilo neocolonial.

O solo da região de Seropédica, é do tipo planossolo álico ou podzólico vermelho-amarelo álico. Tais solos não são os mais indicados para agricultura, exceto em situações bem particulares. O terreno original era ocupado por mangues e matas de baixada, com proliferação de doenças como a malária. Condições que exigiram um certo esforço para construção, o que justifica os quase 10 anos de obra.

Em Seropédica o acréscimo de área construída foi relevante. Especialmente nos entornos imediatos do prédio central (P1), que abrigam vários edifícios de moradia estudantil. Há uma área de grandes dimensões ocupada por expansões recentes, ligadas ao Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). As áreas habitacionais foram cercadas, gradeadas ou muradas, e a infraestrutura viária para acessos está muito precária.

O Ministro Fernando costa foi um dos idealizadores para que UFRRJ firmasse em Seropédica, que até hoje é grande empregador do município, pois a cidade cresce ao redor do território da universidade e sua maior identidade e a existência da mesma. Não é à toa que o mesmo foi homenageado com um busto na portaria da instituição. Que mesmo ciente das dificuldades e com o firme propósito de saná-las, iniciou as obras de um campus especialmente construído para abrigá-la. Que anos depois, com a presença do Presidente da República, foi inaugurado o novo e definitivo campus da Universidade Rural, “com a entrega de dez dos dezessete edifícios e instalações escolares que integravam o campus para os cursos de Engenharia Rural, Biologia, Química, além das Escolas de Agronomia e Veterinária e dos Cursos de Aperfeiçoamento e Especialização”.

São bens tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural: o prédio da Reitoria, a sede do Instituto de Química, a sede do Instituto de Biologia, a residência do reitor e as edificações onde atualmente estão instaladas a Pesagro e a Embrapa.  Também são  tombados os painéis de azulejos pintados do antigo salão de refeições da Escola de Agronomia, local de encontros dos estudantes. Os painéis foram concebidos pela artista plástica portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, em 1943, e são um exemplo da integração das artes a arquitetura, que caracterizou o movimento moderno da época.

Conhecida no passado como Universidade Rural do Brasil por ter estabelecido as bases do ensino agropecuário no país, a instituição tem sua origem num decreto federal de 1910 que criou a Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária, instalada na capital fluminense.  Em 1948, foi transferida para o então distrito de Seropédica, no município de Itaguaí. O nome UFRRJ veio em 1965.

Por:   Clayton Oliveira

Residente em Restauro

Campu de Pirassununga
Ao centro Fernando Costa

 

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