Carregamento foi encontrado na comunidade da Fazendinha; moradores relatam intenso tiroteio

 Uma ação da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) na comunidade da Fazendinha, Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, resultou na interceptação de um caminhão carregado de aproximadamente duas toneladas de maconha vinda do Paraguai, nesta sexta-feira. De acordo com o titular da especializada, Alessandro Petralanda, carros de luxo roubados no Rio foram usados como moeda para a compra do carregamento. 

Os policiais só chegaram ao caminhão após trocarem tiros com criminosos por duas horas. Quando apreenderam o veículo, os criminosos já haviam abandonado o local. Ninguém foi preso e, segundo a Polícia Civil, ninguém ficou ferido na operação.  

“Como tivemos um enfrentamento inicial muito forte, foram duas horas de troca de tiros e um blindado chegou a ficar avariado, precisamos até usar o helicóptero, deu oportunidade de quem estivesse no caminhão e quem receberia essa droga fugir. Para a Polícia Civil, essa foi a maior operação dos últimos dois anos”, disse o delegado Petralanda.

Os agentes da DRFA contaram com o apoio da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC). Na operação, foram usados dois veículos blindados, um helicóptero e 60 policiais.

“Foi uma investigação que começou há um mês e meio e descobriu que essa organização criminosa rouba carros de luxo, clonam as duas placas e os trocam por maconha no Paraguai. Essa droga volta para a comunidade em que elas atuam e faz com que os criminosos ganhem dinheiro com a sua venda”, afirmou o delegado, que explicou:

“Um carro de luxo vale muito mais sendo trocado por droga, que depois é transformada em dinheiro, do que para ser cortado e revendido em ferro-velho. Essas duas toneladas de maconha renderia aproximadamente R$ 4 milhões para os criminosos”.

O delegado ainda explicou como a quadrilha fazia o transporte da droga, desde o Paraguai: “Eles pegavam um caminhão que não era muito novo nem muito velho, para não levantar suspeitas, colocavam uma carga que não levantasse suspeita também, não muito valiosa, faziam um fundo falso para colocar a droga, e usavam um batedor para guiar o carregamento até a comunidade. A carga que eles usaram para disfarçar este carregamento específico foi de móveis de escritório, armários de ferro e cadeiras. É uma carga que não é muito valiosa nem muito barata, para não levantar suspeita”.

Sobre a montagem da operação, Petralanda afirmou: “Nós percebemos que, nesta semana, carros de luxo foram para o Paraguai para serem trocados por drogas. Monitoramos a fronteira, conseguimos identificar o caminhão e o monitoramos. Desde que ele saiu do Paraguai, nós sabíamos que ele iria para a Fazendinha. Nós fomos montando o cerco, monitorando, tentando localizá-lo. Tentamos fazer a abordagem antes de ele entrar na comunidade, mas não foi possível, por que a localização do GPS não é precisa”.

Segundo o aplicativo de violência OTT, tiroteios foram ouvidos na comunidade desde as 6h desta sexta-feira. Um vídeo publicado pelo jornal Voz das Comunidades, mostra o momento em que um helicóptero passava pela comunidade e logo em seguida são ouvidos tiros.

Fonte: O DIA