Votação do impeachment terá fragmentação recorde
28 de março de 2016

Na possibilidade de um impeachment, a união de apoio a Temer será outra tarefa difícil

A Câmara dos Deputados deve votar o afastamento da presidente Dilma Rousseff em meio a um nível recorde de fragmentação partidária, isso poderá dificultar a governabilidade do país independente de qual seja a decisão final.

Segundo a Folha de S. Paulo, atualmente 25 partidos estão no Congresso, os três maiores são PMDB, PT e PP, que totalizam pouco mais de um terço dos deputados federais.

Entre os partidos que estiveram nas últimas seis disputas presidenciais, o PT tem a menor bancada desde que chegou ao Palácio do Planalto, já o PSDB diminuiu em relação aos anos do governo do tucano de Fernando Henrique Cardoso.

A publicação destaca que a Rede abriga a ex-senadora pelo Acre Marina Silva (ex-PT, ex-PV e ex-PSB) e apenas cinco deputados. Já o Partido da Mulher Brasileira tem apenas um membro, do sexo masculino.

A legislação brasileira ajudou o país a se tornar um dos líderes mundiais em proliferação de partidos desde sua redemocratização, recorde-se que até 1979 a ditadura militar permitia apenas duas legendas. Os atuais números não têm precedentes no período.

A Folha explica que na Câmara existem obstáculos inéditos para a formação de maiorias e mesmo alianças ocasionais. No caso da defesa de Dilma, o PT e seus aliados mais fiéis à esquerda, PDT e PC do B, contam apenas 91 votos, 80 abaixo do mínimo necessário para manter a presidente no governo.

Desde a legislatura passada, o trio de siglas diminuiu, quando o fracasso das políticas econômicas desenvolvimentistas desencadearam um desgaste progressivo do governo.

Ainda segundo a publicação, no restante da base de sustentação ao Planalto, as afinidades ideológicas são mais ralas, e os compromissos, mais incertos, um exemplo é o PMDB do vice Michel Temer e seus 69 deputados.

Pós-impeachment

O governo tem pela frente uma agenda de ajustes orçamentários que podem incluir a elevação de impostos e uma reforma da Previdência com redução de direitos.

PSDB e DEM são os partidos que podem concordar com a pauta, pois são os principais sustentáculos das reformas liberais do governo FHC na década de 1990. Em 1998, os dois partidos elegeram juntos 204 dos 513 deputados. O segundo governo tucano elevou a alíquota da CPMF, a antiga contribuição sobre movimentação financeira, criou o fator previdenciário, que reduziu as aposentadorias, e aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A reportagem destaca ainda que atualmente tucanos e democratas somam apenas 76 nomes; somados os peemedebistas, que também minguaram nas últimas eleições, não se atinge 30% da Câmara.

A oferta de cargos e verbas poderá ser uma alternativa para conquistar votos nas legendas de menor protagonismo político, que, atualmente, formam a maioria da Casa. Os principais exemplos são PP, PR e PSD, todos representados no ministério de Dilma.

Na possibilidade de um impeachment, a união de apoio a Temer será outra tarefa difícil, independentemente da instabilidade que os próximos movimentos da Operação Lava Jato venham a provocar no mundo político.

câmara dos deputados

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