Vizinhança afirma que problema começou no início do ano e que, até agora, não foi resolvido

Motivo de reclamação dos moradores, o Aterro Sanitário de Anaia Pequeno , em São Gonçalo , na Região Metropolitana do Rio, exala um mau cheiro pela vizinhança há dois meses, dia e noite, atingindo também a rotina de bairros próximos, como Arsenal, Tribobó e Rio do Ouro. Segundo os relatos, o cheiro forte de chorume invade as residências, provocando irritações alérgicas.

— Não tem trégua. A noite, então, é pior. Quando bate o vento, chega um cheiro de porco. É tão forte que tem moradores passando mal, com problema alérgico e de respiração. Muitas pessoas já ligaram para a ouvidoria da prefeitura, mas ninguém faz nada. Em postagens na redes sociais, descobrimos que moradores de bairros próximos também estão sendo afetados por essa catinga — relatou Cristiane da Costa Guimarães, de 47 anos, que atualmente faz o caminho do ponto de ônibus até sua residência com o nariz tampado.

Orbenes da Silva, de 49 anos, mora no bairro desde que nasceu e nunca enfrentou um mau cheiro com essa intensidade. Ele conta que o odor começou no início do ano, quando moradores entraram em contato com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), que só conseguiu conter o problema por um tempo.

— A construção do aterro foi contra a vontade da população. A gente dorme e acorda com esse fedor. Ligamos para o Inea, que conseguiu resolver, mas depois de quatro meses, o cheiro voltou. Não conseguo mais fazer reuniões com os amigos na minha lage por conta desta situação — conta o morador.

Moradores de Anaia Pequeno são os principais afetados, mas bairros vizinhos também são atingidos pelo fedor Foto: Cristiane da Costa / Reprodução
Moradores de Anaia Pequeno são os principais afetados, mas bairros vizinhos também são atingidos pelo fedor Foto: Cristiane da Costa / Reprodução

Em junho passado, a Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj (Cosan) levou uma equipe até o aterro para realizar uma primeira análise das tecnologias e procedimentos empregados pela empresa Heztec, que comanda o lixão, com base nas denúncias de vazamento de chorume que chegaram até à comissão.

A Cosan constatou que o tratamento de chorume precisa avançar. De acordo com a comissão, o aterro produz um volume do lixiviado maior do que a capacidade que a Heztec possui para tratar, acumulando piscinas do líquido poluente para serem tratadas ao longo do tempo, o que teria uma relação direta com as denúncias.

— No dia em que a equipe foi, parte dos fiscais, juntos a um biólogo, circularam no entorno para ouvir a população. Constatamos que houve um aumento da proliferação de mosquitos e insetos na região, e quantidade dos urubus também. O odor, segundo os relatos, piorou muito — afirmou o coordenador da comissão, Daniel Marques.

Em resposta, a empresa Haztec confirmou que houve registros de reclamações relacionadas ao vazamento de chorume, mas que foi um problema técnico pontual. Sobre o mau cheiro, eles comentaram que o clima seco propaga a maiores distâncias o odor e que até agora não receberam denúncias.

Segundo a Subsecretaria de Meio Ambiente de São Gonçalo, não foi notificada nenhuma reclamação até o momento em relação ao fedor e que o órgão fiscalizador e responsável é o Inea. A subsecretaria, em nota, afirma que está à disposição aos moradores, pelo canal da ouvidoria, e que acompanha a situação de forma suplementar.

Em nota o Inea afirmou que inspeciona a área regularmente e que na última fiscalização, realizada há cerca de um mês, não foi evidenciado vazamento de chorume. O órgão conclui o texto dizendo que, ainda assim, técnicos farão nova vistoria no local.

Fonte: G1