Jesus na sua breve passagem por essa terra nos mostrou ser uma pessoa de poucos amigos. Muitos seguidores. Mas poucos eram aqueles em quem podia confiar. Milhares e milhares eram os que o seguiam. Mas apenas 12, eram seus confidentes pessoais. Pessoas distintas, na maioria incultos e pescadores. Mas foram os escolhidos, sendo dessa forma impossível que eu e você intervenhamos nos critérios de escolha do mestre. Mas, dos doze mais íntimos e escolhidos a dedo, Jesus tinha três amigos que estavam realmente em maior sintonia e comunhão com ele: Pedro, Tiago e João. E dos três mais chegados, João era o que mais perto de Jesus estava. Era o único que recostava a cabeça no peito do mestre.

A lista dos escolhidos por Jesus para serem apóstolos não é muito impressionante do nosso ponto de vista. Jesus passou uma noite orando em favor dessa sublime causa. Ele buscou a vontade e a direção do Pai para fazer essa escolha. Ele escolheu os seus discípulos pela orientação do céu. Mas, o que quero tecer alguns comentários é a respeito de Judas. Ele pra mim, sem dúvidas, foi o mais enigmático. Talvez não entendamos muito esta escolha de Jesus e coloquemos sobre essa decisão inúmeras conjecturas.

Do ponto de vista psicológico, Judas foi até certa altura o melhor dos discípulos. O mais calmo, culto, o que menos envol­veu Jesus em situações tensas e o que possuía maior vocação so­cial. Mas ele tinha um grave problema: não se conhecia, não era transparente, não entrava em contato com as próprias mazelas psíquicas e, portanto, não tinha coragem e habilidade para mer­gulhar dentro de si e mudar suas rotas.  Ele foi um dos 12 apóstolos que Jesus escolheu para O acompanhar na pregação do Evangelho. Além disso, ao ser escolhido, Judas ficou encarregado de guardar a bolsa que continha o dinheiro usado para as despesas do grupo. Algumas pessoas podem se perguntar o motivo de Jesus ter escolhido alguém com caráter de ladrão e que ainda O trairia lá na frente.

E por tamanha realidade psíquica conturbada, fez o que fez. Não há sobre Judas nenhum tipo de determinismo divino, onde o que aconteceu, foi puramente designado a acontecer e da maneira como aconteceu. Não. De maneira alguma. Judas foi quem decidiu cada passo e decisão que tomou. E poderia ter mudado isso. Ele poderia ter tido outra atitude. Raramente alguém raciocina com brilhantismo quando é frustrado. Muitos pais, maridos, esposas, filhos, colegas de traba­lho, nos primeiros segundos de uma frustração, falam palavras que nunca deveriam ser ditas. Quando a frustração está ligada a traição, ela bloqueia ainda mais a inteligência e esmaga a lucidez. Para admiração da psicologia, ao ser traído Jesus teve uma reação surpreendente. Gerenciou seus pensamentos, oxigenou sua emoção, abriu o leque da sua inteligência e corajosamente chamou Judas de amigo.

Judas traiu o mestre. Ele poderia ter se redimido, haveria salvação para ele. Mas preferiu permanecer em contato firme com seus problemas pessoas e psíquicos, e dessa forma não deixando o Mestre Jesus trazer-lher apoio e segurança.  Se trouxermos a atitude de Judas para os nossos dias, podemos analisar a nossa vida e identificar possíveis moedas de prata que talvez estejam nos seduzindo. Quem sabe não estamos trocando a nossa Salvação por 30 moedas de prata em forma de uma amizade que desrespeita a nossa fé? Ou essas 30 moedas estão representadas em um relacionamento que não agrada a Deus? Ou talvez essas moedas estejam mascaradas em detalhes que nos fazem trair o Nosso Salvador, entregando-O novamente à morte todos os dias? Ou ainda, quem sabe se essas 30 moedas não significam palavras torpes, mentirinhas, falsidade, soberba e maus testemunhos por onde temos passado? A traição de Judas com Jesus foi tão atroz, tão diabólica, que um dos antigos pais da igreja disse: “Teria sido bom para o mundo, especialmente para os filhos de Deus, que Judas estivesse só em sua transgressão, que não houvesse mais traidores além dele”. Em outras palavras: teria sido bom se houvera só um Judas. Mas a verdade é: o mundo está cheio de pessoas do tipo de Judas! A igreja ainda testemunha a traição a Jesus Cristo todos os dias. O espírito de Judas está muito vivo nos corações de antigos seguidores de Cristo – e dentro das paredes da igreja igualmente! Quero lhe fazer uma pergunta dura, de frente: será que você poderia ser um traidor de Cristo e não o saber? Você vendeu Jesus e O traiu? Traidores são aqueles que antes eram leais a quem traem. Só os de dentro do grupo podem trair.

A questão que quero tecer, é que, muitas vezes nos comportamos iguais a Judas. Na realidade, nossa vida parece muito com a vida desse apostolo desafortunado. Da mesma forma, somos escolhidos a dedo pelo Mestre; da mesma forma, temos vários problemas pessoais, dolorosos, e que precisam de ajuda, assim como Judas; de igual forma, nós temos todos os dias, a oportunidade de escolher fazer o bom ou o mau; e da mesma forma como Judas, nós andamos muito preocupados, introspectivos, e por vezes damos lugar a falsidade, a mentira, a ganância, a inveja, a incompreensão, ao orgulho, ao desespero, ao ódio, e dessa forma, caímos… não nos matamos como num suicídio literalmente falando, mas permanecemos vivos e sem alma. Matamos-nos em vida. Ficamos desalmados.

Quantas vezes por conta disso tudo que ainda é confuso no nosso ser, e que não fazemos questão de melhorar, magoamos e traímos a quem mais nós amamos? É como se déssemos um beijo, que apesar da aparência exuberante e amável, está recheada de más intenções.  Além de realmente estarmos traindo nosso Jesus, perdemos a confiança e a amizade daqueles que nos rodeiam. E foi isso que ocorreu com Judas. O detalhe crucial, e que forma um abismo colossal entre ele e nós, é que enquanto houver vida, há esperança. Podemos dar lugar ao verdadeiro arrependimento e voltar atrás para desfazer todo mal. Judas, não conseguiu. Preferiu se entregar pra forca.

A minha mensagem, é essa: Pare, respire fundo e se arrependa. Não há demérito no arrependimento. Procure a quem conversar e buscar uma cura pra alma. Por mais que pareça confuso as coisas para você, não deixe que a mentira, o engano, a falsidade e a ganância tomem conta do seu coração. Muitas famílias estão destruídas por causa de algum tipo de traição; muitos amigos estão separados por conta da traição. Não seja você um traidor. Lembre-se que Jesus está vivo, e quer te ajudar. Foi ele mesmo quem te escolheu para designar alguma função especifica, e você não pode deixar passar isso. Viva e viva no amor e na paz daquele que te escolheu primeiro.

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Um abraço e que Deus nos abençoe!

João Marques