Com 99,99% das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro recebeu 46,03% dos votos válidos enquanto o petista Fernando Haddad ficou com 29,28%

O dólar terminou em forte queda nesta segunda-feira (8), cotado a R$ 3,76, com os investidores confiantes na vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno das eleições presidenciais — o deputado federal enfrenta o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), em 28 de outubro.

O dólar recuou 2,35%, a R$ 3,7662 na venda, menor patamar desde os R$ 3,7658 de 8 de agosto. Foi a maior queda percentual desde o recuo de 5,59% de 8 de junho passado.

Na mínima, a moeda chegou a tocar os R$ 3,7094. O dólar futuro tinha queda de cerca de 2%.

“O desempenho de Bolsonaro no primeiro turno o mantém como favorito na disputa, seja pela votação recebida — muito próxima dos 50% —, seja pelo quadro das disputas nos Estados ou ainda pela equiparação de armas na campanha de segundo turno”, escreveu a corretora XP investimentos.

Com 99,99% das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro recebeu 46,03% dos votos válidos enquanto o petista Fernando Haddad ficou com 29,28% do total.

Além disso, Bolsonaro também impulsionou a performance de seu partido, que ficou com 52 cadeiras na Câmara, a segunda maior, atrás do PT, com 56.

“Parte da animação do mercado advém da renovação do Congresso. Essa renovação, independentemente da sigla partidária, dá esperança ao povo”, disse o diretor de operações da Mirae, Pablo Syper, para quem, no entanto, a volatilidade deve continuar alta até o desfecho das eleições, com as pesquisas ainda ditando o humor do mercado.

A preferência do mercado financeiro por Bolsonaro é apoiada no seu coordenador econômico, o economista liberal Paulo Guedes. Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta manhã, o candidato disse que a ideia é que ambos andem juntos.

“Se Bolsonaro vencer, a série de surpresas de hoje poderia tornar mais fácil do que o esperado a tarefa de formar maioria no Senado e na Câmara para aprovar reformas”, escreveram os economistas do UBS Tony Volpon e Fabio Ramos.

Mesmo com o otimismo dos investidores com o desfecho do primeiro turno das eleições, a expectativa de analistas consultados pela Reuters é de que um fluxo de recursos mais firme e consolidado só voltará após o segundo turno e com a indicação de que reformas serão, de fato, efetuadas.

Com a eleição no radar, o mercado doméstico operou o dia todo na contramão do exterior, onde o dólar subia ante a cesta de moedas e ante as divisas de países emergentes.

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