Agradeço a todas as pessoas que enviaram mensagens de conforto, neste momento tão triste de minha vida, agradeço aos amigos que vieram me dar um abraço e compareceram no velório. Meu muito obrigado.

Nascido em 15 de fevereiro de 1922, na cidade de São Gabriel Rio Grande do Sul. Iony Calderini, em meados de 1941 alistou-se ao Exército Brasileiro, com intenção de ir para guerra na Itália. Mas ai apareceu o primeiro problema, naquele tempo, quem fosse filho único, não poderia ingressar na Guerra, a solução foi colocar seu primo Frederico Calderini, que tinha o mesmo sobrenome, como fosse seu irmão. A guerra seguia e muitos Brasileiros perderam suas vidas no campo de batalha. Finalmente no início de 1943, meu Pai Iony Calderini embarcava em um trem militar que levava os soldados para o Rio de Janeiro, de onde partiria um comboio de navios levando soldados, armas, munições, medicamentos e alimentação para suprir as necessidades dos militares na Itália.

Meu Pai serviu como mecânico de Tanques e Viaturas militares, ia a todo lugar onde precisava concertar qualquer veículo do Exército Brasileiro. Logo no início do ano de 1944 o Jeep que ele estava, passou em cima de uma Mina Terrestre, sendo projetado para fora do carro onde teve sua perna fraturada e vários machucados devido aos estilhaços da mina.

No mesmo ano o Navio da Cruz Vermelha que trazia os Pracinhas Feridos, aportou na Praça Mauá no Rio de Janeiro, trazendo meu Pai, que ficou internado no Hospital Central do Exército (HCE). Ali no HCE conheceu uma linda enfermeira de olhos azuis, que cuidou dele, enquanto internado neste hospital. Foi uma paixão à primeira vista. Por fim está linda enfermeira de nome Lindaura, acabou casando com meu pai, ela carioca e meu pai gaúcho, meus pais ficaram casados por 71 anos, minha mãe hoje tem 93 anos.

Com o passar dos anos meu pai foi morar em São Borja, (RGS), onde nasceu o primeiro filho (José). Minha mãe estava com muitas saudades de minha avó (Bininha), já falecida e pediu a meu pai para se mudar para o RJ, onde nasceu a primeira filha (Libera). Neste período meu pai veio morar em Seropédica e trabalhou no antigo SAPS, onde fica localizada a Agronomia no km 47, o Incra. Local que um tempo depois eu nasci, e tenho orgulho em dizer que sou Seropedicense (Luiz Calderini).

Com o passar dos anos meu pai retorna para o RGS onde teve mais 6 filhos (Dante, Beth, Inez, João, Renato) um faleceu com poucos meses de vida de pneumonia. A vida era dura devido ao frio e porque seu salário era baixo, para sustentar 8 filhos. Ele se desdobrava fazendo horas extras para nada faltar em nossa mesa. A vezes deixava de comprar um sapato, uma roupa, para nos dar um conforto melhor, não faltava cadernos, livros para nós estudarmos. Procurava nossos professores na escola para ver se nós íamos bem no aprendizado. Naquele tempo a professora colocava o aluno que era levado ajoelhado em cima de milho, onde fiquei muito. Meu pai sentava junto a nós na mesa, para ensinar a tabuada e ajudar no dever de casa.

Nesta época nós morávamos na cidade de Novo Hamburgo, ali o inverno era rigoroso, ele ia na nossa cama todos os dias e nos ensacava com cobertor costurado nas pontas, para não sentirmos frio e nem ficar doente. Meu pai sempre procurou não deixar faltar nada em nossa mesa, as vezes deixava de comprar um calçado uma roupa para nos dar um brinquedo, um gibi.

Eu era muito levado, acho o mais levado dos irmãos, quando eu voltava da escola meu pai me levava para oficina mecânica onde trabalhava, para me ensinar uma profissão e a noite me ajudava a fazer os deveres da escola.

Meu pai foi um homem de caráter inabalável, um exemplo de vida, de coragem, de honestidade, seu único vício era o trabalho, sempre procurava fazer alguma coisa até a poucos anos atrás. Era um engenheiro, arquiteto, sem ter formação para tal, era criativo, tudo concertava, sabia da carpintaria a fundição, da mecânica a eletricidade.

 Meu pai veio a falecer dormindo sentado no sofá, aos 94 anos, neste últimos dia 19/01 com falência múltipla dos órgãos.

Meu pai foi uns dos últimos ex-combatentes vivos do Rio de Janeiro, pracinha condecorado, tinha orgulho de usar a boina azul e suas medalhas, quase todos os anos ele participava do desfile cívico. Os militares vinham buscar ele em casa com uma escolta.

Um dia meu pai vendo a TV falou: “Meu filho olhe essas pessoas que dizem que vão reivindicar seus direitos, a primeira coisa que fazem e queimar a Bandeira Brasileira, ou pisar em cima dela. Mal sabem eles que muitos Brasileiros perderam suas vidas no campo de batalha, para defender esta bandeira que representa nosso país, nossa dignidade, nosso estilo de vida, principalmente nossa liberdade. A culpa não está na bandeira e sim nesses políticos sujos que só pensam em roubar”