O governador Wilson Witzel se reúne na próxima quinta-feira com o ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), Claudio Tavares, para discutir sobre a situação das barragens no estado e, também, sobre a prevenção de crises hídricas como a de 2015, quando reservatórios quase atingiram o volume morto. De acordo com relatórios de órgãos federais, sete barragens no Rio apresentam grau de risco à vida e ao meio ambiente.

Serão temas do debate, a segurança hídrica e de barragens, incluindo a discussão de ações preventivas para evitar acidentes como o que aconteceu em janeiro em Brumadinho, Minas Gerais, que deixou mais de 170 mortos. Ao todo, são 29 construções do tipo em todo o território fluminense.

‘Alto risco’

No mês passado, o GLOBO publicou que, só no Rio de Janeiro, segundo relatórios de órgãos federais, há pelo menos sete barragens, que armazenam água ou restos de mineração, com alto dano potencial associado (DPA). Ou seja, podem causar mortes e grandes impactos sociais, econômicos e ambientais em caso de rompimento ou vazamento. As más condições de conservação fazem com que três sejam avaliadas como de alto risco (CRI) para acidentes.

Embora poucos saibam de sua existência, essas unidades, juntas, têm em seu entorno cerca de 240 mil habitantes, o que aumenta a preocupação. E não é só: uma emergência afetaria o fornecimento de água para oito milhões de moradores do estado. Um eventual rompimento da barragem de Quatis, da Cimento Tupi, a 500 metros da Via Dutra, derramaria toneladas de argila arenosa e aumentaria a turbidez no Rio Paraíba do Sul, que abastece 7,3 milhões de pessoas na Região Metropolitana. Os estragos na Vila dos Remédios, onde Isadora mora, seriam grandes.

— Fiquei surpresa ao saber que esse morro é uma barragem. Dá medo, porque não faço ideia do que fazer em caso de acidente — diz Isadora.

Já o último Relatório de Segurança de Barragens da Agência Nacional de Águas (ANA), concluído em novembro do ano passado com base em dados de 2017, aponta que o Rio tem 29 represas para abastecimento ou uso industrial, entre outras funções. A fiscalização de todas é de responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), e 21 sequer foram classificadas quanto ao grau de risco. No entanto, duas constam de uma lista de 45 em todo o país com algum comprometimento estrutural importante, com altos DPA e CRI: Gericinó, entre Nilópolis e Mesquita, e Juturnaíba, entre Silva Jardim e Araruama.

Fonte: EXTRA