Marinha detecta manchas de óleo no Delta do Parnaíba, importante berçário marinho no Nordeste e em Vitória (ES). Técnicos do Ministério do Meio Ambiente acreditam que produto químico chegará ao Rio de Janeiro ”em questão de dias”

petróleo cru que atingiu o litoral brasileiro continua a se espalhar e provocar danos ambientais. O produto químico atingiu o Delta do Rio Parnaíba, entre o Piauí e o Maranhão, área de proteção ambiental e berçário marinho, abrigo de diversas espécies . No lado piauiense, as praias do Sal e de Atalaia foram consideradas impróprias para o banho. Na sexta, a Marinha registrou os primeiros indícios de óleo na praia de Camburi, em Vitória (ES).

Sob a condição do anonimato por medo de represálias, um técnico do Ministério do Meio Ambiente afirmou ao Correio que o produto atingirá o Rio de Janeiro. “É questão de dias”, garantiu. É cedo para afirmar se o óleo chegará ao litoral norte de São Paulo, ou se ficará parado em Cabo Frio (RJ). Isso porque a mobilidade das manchas rumo ao estado paulista dependerá de condições meteorológicas. Voltando ao Nordeste, ainda ontem, militares da Marinha foram mandados para a região do Delta do Parnaíba, para dar início aos trabalhos de limpeza na região.

Plano de ação

No Ministério do Meio Ambiente, a expectativa é que os danos ambientais sejam menores no Espírito Santo, no Delta do Parnaíba e na costa fluminense. As análises já previam que essas localidades seriam atingidas, então foi possível traçar um plano de ação com antecedência. É uma situação diferente do que ocorreu em outras praias do Nordeste entre o fim de agosto e o início de outubro, quando, com mais de um mês de atraso, o governo acionou o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo (veja Linha do tempo).
“O Espírito Santo já sabia que seria atingido. Houve tempo para se preparar. Então, tem uma articulação entre Ibama, ICMBio e órgãos estaduais de meio ambiente, que já vêm conversando e se preparando nos municípios. Existe uma estrutura do PNC que eles conseguiram organizar. Temos instituições ambientais fortes na região. Chegou bastante (óleo) em uma área de desova de tartarugas, em Regência”, contou o técnico do MMA.
Segundo um levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgado na sexta-feira, em toda a costa, o óleo atingiu, pelo menos, 140 espécies da fauna marítima brasileira. O contato com o produto resultou na morte de cerca de 100 animais. As principais vítimas do químico são as tartarugas marinhas, com um total de 96 registros de contaminação, seguido pelas aves, com, ao menos, 30 casos. Em outro levantamento do instituto, este divulgado ontem, ao todo, o óleo cru atingiu 10 estados, 115 municípios e 625 regiões.
O governo divulgou, no início do mês, que o navio petroleiro grego Bouboulina seria suspeito do derramamento de óleo. A embarcação pertence à empresa Delta Tankers, que nega. As investigações continuam.

» Linha do tempo

» As primeiras manchas de óleo apareceram no fim de agosto em praias da Paraíba e de Sergipe.
» Até 8 de setembro, já havia registros de manchas de óleo em oito dos nove estados do Nordeste. Os focos de contaminação continuaram a crescer.
» No meio da contaminação, o governo federal acumulou polêmicas. Só acionou o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em 8 de outubro, com 38 dias de atraso.
» Faltou coordenação entre os órgãos governamentais preparados para lidar com a tragédia. A Marinha só regularizou as ações em 8 de outubro, e o Ibama, 17 dias após a corporação.
» Em 24 de outubro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles acusou, sem provas, a organização Greenpeace, de ter despejado o produto químico no mar. Dias antes, a mancha de óleo atingiu Cabo de Santo Agostinho (foto), em Pernambuco.
» O fato veio a público após uma publicação do jornal Estado de São Paulo, que teve acesso a documentos. Há indícios de que o decreto do presidente que extinguiu diversos conselhos teria atrapalhado uma ação mais célere.
» Segundo o governo, correntes oceânicas do Equador carregaram o óleo derramado em alto-mar em direção ao Nordeste. Na costa brasileira, porém, essa corrente se dividiu em duas espalhando o produto químico em direção aos estados do Norte e ao sudeste.
» Em 2 de novembro, o óleo atingiu o parque Nacional de Abrolho, na Bahia. A essa altura, já havia chegado, também, às primeiras praias no Norte do Espírito Santo. A Polícia Federal  tinha um suspeito da catástrofe.
» O governo divulgou, no início do mês, que o navio grego petroleiro Bouboulina, da empresa Delta Tankers, seria o principal suspeito do derramamento de óleo. Porém, a companhia e empresas especializadas em análise do mar via imagem de satélite questionam a informação.
» Em 16 de novembro, o óleo atingiu o Delta do rio Parnaíba, entre Maranhão e Piauí, e várias localidades no Espírito Santo..
Fonte: Correio Braziliense

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