O Centro de Tratamento de Resíduo de Seropédica (CTR), foi inaugurado em 2011, ele surgiu para substituir o antigo Aterro Sanitário de Gramacho, que funcionava desde 1978 no Rio de Janeiro. (Atualmente Empresa Ciclus Ambiental do Brasil S.A)

Desde sua inauguração houve inúmeras denúncias de vazamento de chorume, mau cheiro, proliferação de moscas, baratas e ratos. Até hoje ninguém entende como os órgãos ambientais como o INEA permitiram sua instalação encima do Aquífero Piranema, maior manancial de água potável do Estado do Rio de Janeiro. (Na falta do Rio Guandu o Aquífero Piranema poderia abastecer o Rio de Janeiro e Baixada de água potável)

No dia 31 de março de 2020, a Secretaria de Ambiente e Agronegócios de Seropédica, atendendo a várias reclamações de moradores de bairros próximos a Ciclus, realizou mais uma fiscalização no Centro de Tratamento de Resíduo e encontrou inúmeras irregularidades.

“As irregularidades encontradas pode ter afetado o Aquífero Piranema, devido ao vazamento de chorume em vários pontos da empresa, tudo isso registrado em fotos”.  

Olhem abaixo o que foi constatado pela Secretaria de Ambiente e Agronegócios de Seropédica, relatório enviado para o INEA a UFRRJ e ao Ministério Público do RJ.

“Foi observado vazamento de chorume nas canaletas de drenagem de águas pluviais em vários pontos, o que comprova a ineficiência do sistema de drenagem de chorume no interior do maciço, com alto risco de contaminação do solo e do aquífero Piranema, que é um dos maiores aquíferos do Brasil, já que o Aterro encontra-se sobre ele. Além de provocar a proliferação de vários tipos de vetores com o acúmulo de resíduo a céu aberto, infringindo o Artigo 163 da Lei Municipal NO 428 de 28 de fevereiro de 2012 c/c Artigo 61 Parágrafo 1 0 Inciso V da Lei Estadual 3467/2000;”.

“Constatamos sulcos erosivos nos taludes do maciço, sem a devida cobertura vegetal, com exposição de resíduos a céu aberto em determinados pontos, o que comprova o não atendimento da condicionante NO 30 e 39 da LO NOIN035070 e estando em desacordo com a ABNT NBR 13896″.

“Verificamos ainda, que a canaleta do sistema de drenagem de águas pluviais se encontrava assoreada em diversos pontos, diminuindo assim sua eficiência, o que comprova o não atendimento da condicionante NO 31 da LO NOIN035070, estando em desacordo com o Artigo 163 da Lei Municipal NO 428 de 28 de fevereiro de 2012 c/C Artigo 3 Parágrafo 1 Inciso IV da Lei Estadual 4191/2003″.

“Observamos que os PDRs não estavam conectados, liberando gases potencialmente poluidores a atmosfera, sendo lançados sem nenhum tipo de tratamento, também foi constatado pela equipe de fiscalização alguns tubos na parte superior do Aterro liberando gases sem tratamento algum direto na atmosfera, o que infringe o Artigo 163 da Lei Municipal NO 428 de 28 de fevereiro de 2012 c/c Artigo 61 Parágrafo 1 0 Inciso V da Lei Estadual 3467/2000″.

“OBS: Foi questionado com o Sr. Eduardo Laganar — Diretor de Operações da Ciclus, o por quê, desse lançamento de gases altamente poluentes diretamente na atmosfera, sem nenhum tipo de tratamento, visto que uma das maiores denúncias dos moradores do entorno do Aterro é o mal cheiro e problemas respiratórios, sem contar que são gases do Efeito Estufa. O Diretor de Operações do Aterro disse que devido a um problema nos tubos de captação dos gases na Estação de Biogás do Aterro, foi necessário essa liberação dos gases, para não aumentar a pressão dentro do Aterro e que ele já tinha comunicado ao Instituto Estadual do Ambiente — INEA, que é o Órgão Ambiental competente responsável por licenciar a CTR Ciclus. Também foi perguntado a ele, se o INEA tinha dado essa autorização para liberação dos gases sem tratamento, qual seria a previsão para restabelecer o sistema de captação e cessar com a poluição e porque não comunicou também o ocorrido à Secretaria de Ambiente e Agronegócio de Seropédica, por se tratar de um impacto local”.

O documento de fiscalização foi assinado pelo Secretário de Ambiente e Agronegócios de Seropédica, Marcos Vinicius leal D’Amato, com formação em Engenharia Ambiental e Sanitária e é Engenheiro de Segurança do Trabalho.

Vale ressaltar, que nenhuma dessas perguntas foram respondidas até o momento.

A Secretaria de Ambiente e Agronegócios enviou ao INEA, que é o órgão ambiental competente e responsável pelo licenciamento ambiental do aterro sanitário, o relatório de fiscalização para que seja tomada as providencias cabíveis, e até a data de hoje (29/9), não deu demonstração de interesse por este Crime Ambiental.

Mesmo com a Pandemia do Coronavírus que tem provocado casos graves de problemas respiratórios em todo o Brasil, não existe nenhuma justificativa para a inércia do INEA, deixando que essa empresa cometa estas diversas infrações ambientais, entre elas a liberação de gases tóxicos direto na atmosfera sem nenhum tipo de tratamento.

O Seropédica online tem achado estranho a atitude do INEA em relação a vários casos de crimes ambientais que tem acontecido no Estado do Rio de Janeiro, tanto no Aquífero Piranema, ou na Cachoeira de Paracambi onde é jogado esgoto e resíduos industriais, e tem matado a fauna da região, como crimes ambientais que tem acontecido no Rio Guandu, que atualmente está virando o segundo Tietê.

Vejam abaixo o relatório na integra e fotos dos crimes ambientais na Ciclus

Abaixo em PDF a fiscalização realizada na Ciclus

RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO DA CICLUS

Vejam o que diz a Ciclus

Secretário de Ambiente e Agronegócios de Seropédica, Marcos Vinicius leal D’Amato