CTR Santa Rosa em Seropédica também não faz o tratamento de churume

Segundo norma do Inea, aterros precisam ter um sistema de coleta, drenagem e tratamento de líquidos, mas isso não ocorre em São Gonçalo, Itaboraí e Seropédica.

Três centros de resíduos importantes do estado do Rio, o de Seropédica, de São Gonçalo e de Itaboraí, ainda não fazem o tratamento do chorume, como exige uma das normas de licenciamento ambiental do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Segundo a regra, para a construção de um aterro sanitário, o projeto deve incluir um sistema de coleta, drenagem e tratamento de líquidos, mas isso não acontece em nenhum desses locais.

A falta do serviço fez com que o Inea autorizasse o transporte do chorume produzido por esses aterros para a Estação de Tratamento de Icaraí, em Niterói. O problema é que, de Seropédica até a Zona Sul de Niterói, por exemplo, o chorume é transportado em caminhões por 167 quilômetros pela Estrada Rio-Magé, já que o tipo de carga não permite que os motoristas trafeguem pela Ponte Rio-Niterói. Cada caminhão tem capacidade para transportar 30 metros cúbicos do líquido.

De acordo com a Secretaria do Ambiente, o transporte de chorume não representa perigo ao meio ambiente, pois é feito com veículos adequados e licenciados para este fim. O problema, segundo o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade da Câmara, Henrique Vieira, está na escolha da estação de Icaraí para o recebimento do líquido. Algo que era para ser temporário, mas vem se prolongando.

Ainda de acordo com o presidente, a Secretaria do Ambiente apresentou um relatório que contém ressalvas ao processo de tratamento do chorume na estação de Icaraí. O documento, entregue em audiência pública na segunda-feira na Câmara de Niterói, pede, inclusive, a suspensão imediata do recebimento do líquido pela estação. A Comissão recebeu denúncias de moradores sobre o mau cheiro de caminhões que passam pelas ruas da cidade em horário comercial. A concessionária Águas de Niterói nega ter recebido o relatório.

O vice-prefeito de Niterói, Axel Grael, afirmou que, quando a estação foi licenciada pelo Inea para receber o chorume, o número de caminhões que chegava causava transtornos à cidade e que, por isso, foi feito um pedido ao instituto para reduzir a quantidade do líquido vindo dos aterros. De qualquer forma, ele diz que, apesar da distância, a estação de Icaraí é a melhor opção para o tratamento.

Segundo o Inea, apenas 0,9% do que é tratado na estação de Icaraí é chorume. Após o tratamento do líquido, feito junto com o esgoto, ele é levado por um emissário submarino e despejado na Baía de Guanabara. De acordo com o instituto, com o tratamento adequado, o chorume não contribui muito para o aumento da poluição na Baía da Guanabara.

No entanto, na semana passada, em vistoria realizada pela Gerência de Saneamento do Inea, foram constatados índices de substâncias poluentes acima do estabelecido na saída da estação de Icaraí para o emissário submarino. A concessionária Águas de Niterói foi multada, e os técnicos da Gerência de Qualidade das Águas do Inea analisam, nas amostras coletadas, se há sustâncias relacionadas ao chorume e quais providências serão tomadas.

De acordo com a presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Aspásia Camargo, falta investimento em uma logística para melhorar o transporte do chorume.

A empresa Ciclus, responsável pelo Centro de Seropédica, afirmou que a estação de tratamento de chorume do local deve entrar em funcionamento até junho deste ano e terá capacidade para tratar até mil metros cúbicos do efluente por dia. O projeto deveria ter sido entregue em 2011. A companhia Estre Ambiental, responsável pela estação de Itaboraí, afirmou que a empresa investiu R$ 7 milhões no local, que deve ficar pronto até setembro deste ano.

A Foxx Haztec, responsável por aterros em São Gonçalo e Nova Iguaçu, informou que a empresa possui estação de tratamento de chorume própria na Baixada. No entanto, em casos de manutenção interna ou volume gerado acima da capacidade de tratamento, o líquido é encaminhado para Icaraí. Já a estação de São Gonçalo deve ser concluída nas próximas semanas. Segundo a companhia, esse centro realiza, atualmente, apenas o tratamento primário do chorume e diariamente envia cerca de quatro cargas do líquido por caminhão-tanque até Icaraí.

A Secretaria do Ambiente informou que a estação Alegria, no Caju, também recebe chorume para tratamento em volume superior. A necessidade de dar outra destinação ao material atualmente tratado em Icaraí também está sendo avaliada. A licença de operação da estação de Niterói vence no dia 31 de agosto.

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