Substituição por sacolas retornáveis e reutilizáveis pode significar uma enorme economia de recursos naturais e de energia

O Ministério do Meio Ambiente estima que entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas em todo o mundo anualmente. Somente no Brasil, 1 milhão de sacolinhas são distribuídas por hora. O consumo em excesso e inadequado das embalagens é considerado um dos principais vilões ambientais na atualidade.

Conforme o engenheiro de minas Diosnel Rodriguez Lopez, professor do curso de Engenharia Ambiental da Unisc, o tempo de degradação das sacolas pode variar de cem até 500 anos, conforme as características químicas e físicas e as condições nas quais estão inseridas. “Se nós analisarmos a inserção do plástico no mundo atual, podemos afirmar que hoje vivemos a era do plástico. Em função de suas aplicações, grande parte das embalagens plásticas acaba sendo usada apenas uma vez, para logo ser descartada. E aí começam os problemas”, afirma.

Para o doutor em engenharia, é importante ressaltar que grande parte dos problemas causados pelas sacolas plásticas se deve exclusivamente ao mau uso pelas pessoas. “Se todo mundo acondicionasse as sacolas de modo adequado para seu descarte ou reciclagem, esse problema poderia ser gerenciado por outras alternativas.”

Ao serem inseridos nos ecossistemas, os plásticos têm potencial para gerar diversos impactos nas esferas ambientais, sociais e econômicas. “Em relação aos aspectos ambientais, no caso específico das sacolinhas, em primeiro lugar há um impacto visual negativo. Atrelado a isso, temos outros problemas sobre a fauna, a qualidade da água e do solo”, observa. Para Lopez, o uso de sacolas retornáveis e reutilizáveis significa uma enorme economia de recursos naturais e de energia não renováveis, contribuindo para a redução dos impactos ambientais no ciclo de vida dos produtos.

Foto: DivulgaçãoLopez: “Vivemos a era do plástico”
Lopez: “Vivemos a era do plástico”

 

O exemplo de outros países

Diante das adversidades ambientais em decorrência do uso inadequado das sacolas, alguns países passaram a proibir ou restringir a produção e uso delas, com legislações que também buscam atender às demandas advindas da sociedade. Em outras nações, como a Alemanha, a sacola plástica é cobrada em muitos estabelecimentos comerciais. A maioria das embalagens de líquidos é cobrada do consumidor, que ganha o seu dinheiro de volta se devolver a embalagem. Como nem todo plástico é 100% reciclável, outra medida adotada por alguns países é a incineração para aproveitamento energético.

Mudança de hábito

O Ministério do Meio Ambiente acredita que a solução ambiental para as sacolas plásticas envolve a mudança de hábitos em relação a esse item, que passam pelo uso consciente, reutilização e correto descarte, além da redução drástica de seu consumo. “Só diminuiremos os impactos ambientais das sacolas plásticas quando diminuirmos sua presença em nosso dia a dia e na natureza. Essa redução será facilitada quando alternativas para o descarte de lixo surgirem, especialmente a instituição da coleta seletiva em todos os municípios brasileiros e da compostagem, que permitirá a correta destinação dos materiais recicláveis e dos resíduos orgânicos”, ressalta o órgão em seu portal na internet.

Catadores reciclaram 247 toneladas de plástico em 2018

A Cooperativa de Catadores e Recicladores de Santa Cruz do Sul (Coomcat) reciclou no ano passado 247 toneladas de resíduos plásticos. O montante representa 27% do total de materiais reciclados em 2018. De acordo com o responsável pelo setor de comunicação da entidade, Jonathan Santos, a proposta agora é criar uma campanha para melhorar a separação e destinação dos resíduos plásticos. “O município tem um potencial para reciclar ainda mais, mas só se houver educação ambiental e consciência da comunidade, comércio, empresas, indústria e organizações da sociedade, levando em consideração essa temática”, pondera.

Santos ressalta que a cooperativa acredita que só com trabalho em conjunto poderá criar diretrizes eficazes que possam reduzir, reutilizar e reciclar esse resíduo, através da educação ambiental continuada. “É preciso orientação e acesso à informação, mecanismos de controle, ou seja, fiscalização para descarte irregular, e fortalecimento do sistema de coleta seletiva que já existe”, defende.

Atualmente, a entidade conta com 52 cooperados, que realizam a coleta seletiva solidária em nove bairros da cidade, em dias e turnos alterados. Segundo cálculos da Coomcat, são em torno de 2,5 toneladas de resíduos coletadas por dia nas regiões abrangidas.

Fonte: GAZ

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