No momento do acidente, o MV Wakashio, que vinha da China para o Brasil, sem transportar carga, levava aproximadamente 200 toneladas de diesel e 3.800 toneladas de combustível

O navio que viajava da China para o Brasil e encalhou no fim de julho nos recifes de Pointe d’Esny, na costa sudeste das Ilhas Maurício, se partiu em dois no último sábado (15), depois de vazar cerca de 800 toneladas de petróleo. A informação foi confirmada pela Agência Efe junto ao assessor ambiental das Ilhas Maurício, Mokshanand Sunil Dowarkasing.

“Era algo esperado. Já nesta manhã, um helicóptero se apressou para transportar o petróleo que estava sendo extraído do navio, porque as autoridades e equipes de resgate temiam que ele se partisse em questão de horas”, admitiu Dowarkasing. Na embarcação, de propriedade japonesa e que tem bandeira do Panamá, ainda restavam 166 toneladas de petróleo a ser bombeado, segundo confirmou o primeiro-ministro das Ilhas Maurício, Pravind Jugnauth em entrevista coletiva concedida na quarta-feira.

Desde então, o processo de esvaziamento dos tanques seguiu, por isso, ainda há dúvidas sobre a quantidade precisa de combustível no navio, segundo admitiu à Efe o porta-voz do Greenpeace Africa, Tal Harris. “Os voluntários que estavam colocando barreiras na água, já não podem se aproximar da área. O governo decretou como área proibida e pediu que parassem as atividades de limpeza”, explicou o ambientalista. Segundo a imprensa local, as equipes de resgate estão trabalhando em alto mar para arrastar “pouco a pouco” a proa, com ajuda de três rebocadores, uma tarefa que tem sido dificuldade por causa das fortes ondas.

No momento do acidente, o MV Wakashio, que vinha da China para o Brasil, sem transportar carga, levava aproximadamente 200 toneladas de diesel e 3.800 toneladas de combustível para consumo próprio. A tripulação, de 20 pessoas, foi toda evacuada. A região afetada é de recifes de coral, que vinha sendo reabilitada há 15 anos. A área é considerada de grande diversidade marítima e terrestre, com importantes reservas naturais ao longo de poucos quilômetros. Segundo estimativa do oceanógrafo e ambientalista local Vassen Kauppaymuthoo serão precisos dez anos, pelo menos, para que o ecossistema marinho volte a ser o que era.

*Com Agência EFE