O ano letivo já começou na maioria das cidades brasileiras e, com ele, o transtorno ocasionado pelo trânsito nos entornos das escolas. Em Sorocaba (SP), por exemplo, a estimativa é que no período de aulas o fluxo de carros nas ruas chega a crescer 20%, segundo a URBES – Empresa de Desenvolvimento Urbano e Social de Sorocaba.

Entre as principais infrações cometidas por motoristas nos arredores das escolas estão o estacionamento irregular, formação de fila dupla, velocidade acima do limite estabelecido e obstrução da faixa destinada aos pedestres. Segundo a especialista em Gestão, Engenharia e Operação de Trânsito e diretora da EducaWise, Paula Tomborelli, o comportamento dos pais no trânsito pode influenciar na conduta dos filhos no futuro. “Os bons modos e a cidadania devem ser transmitidos de geração para geração, mas não é o que acontece nos horários de trajeto para as escolas. Como os mais experientes têm comportamentos inadequados, os mais novos crescem acreditando que as más condutas são normais e devem ser repetidas. Tudo isso se torna um problema cultural no trânsito, que pode trazer consequências trágicas no futuro”, afirma.

Por muitas vezes, as infrações dão lugar a estatísticas mais preocupantes. Um levantamento do Infogisa-SP, indica que 268 pessoas com faixa etária de 0 a 17 anos vieram a óbito em decorrência de acidentes de trânsito no Estado de São Paulo em 2018, sendo que 64,1% ocorreram em vias municipais (áreas com escolas). Outro dado indica que essas fatalidades acontecem, geralmente, com pedestres (27,9%) ou passageiros (41%).

“Além dos casos de desrespeito às leis de trânsito, em alguns lugares observamos a falta de fiscalização e de obras para preservação e sinalização das vias. Além de ampliá-las, é fundamental a inclusão de mais campanhas de conscientização e estimular a educação para que este cenário se transforme”, sugere Paula.

 Estímulo à educação de trânsito nas escolas

A Operação Escola, realizada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), foi iniciada na semana de volta às aulas para desenvolver ações educativas e operacionais, com orientações e fiscalização de trânsito nas proximidades de 98 escolas (28 da rede municipal, 12 da rede estadual e 58 particulares). Além de operadores de trânsito, a ação conta com funcionários de escolas treinados para disciplinar o embarque e desembarque de alunos e proporcionar segurança na travessia de pedestres.

Paula Tomborelli acredita que o currículo do Novo Ensino Médio (que deverá ser composto por até 60% de conteúdos previstos pela BNCC e por 40% por itinerários formativos) pode trazer soluções para o trânsito além dos entornos das escolas, principalmente por meio da inserção de novas tecnologias em aulas, que pode ajudar a conscientizar ainda mais os estudantes. “Incluir temas como o trânsito nas escolas a partir da verticalização do assunto em matérias tradicionais, como física, matemática ou geografia, além de aliar a tecnologia a matérias de itinerários formativos, com simuladores de direção educacional nas aulas, estimulariam os jovens a se comportarem com mais responsabilidade, também, no relacionamento intersocial com o trânsito, seja como pedestre, passageiro ou usuário de diferentes modais – como patinete, bicicleta, moto e ônibus”, explica.

Para ela, direta ou indiretamente, os jovens sempre estão envolvidos em questões relacionadas ao trânsito e isso ajudaria a propagar conscientização também entre os adultos. “Mesmo sem dirigir, os filhos podem ajudar os pais a evitarem infrações e acidentes alertando-os ao presenciar ultrapassagens indevidas ou parar em local proibido. Com mais conhecimento, teríamos uma inversão de papeis e, talvez, o início de uma transformação na nossa cultura”, conclui Paula.

 

Faça o seu comentário