Michel Temer deu “um tiro no pé”, segundo o Palácio do Planalto

Assim que o áudio com discurso de Temer falando como se o impeachment já tivesse sido aprovado pela Câmara vazou, a presidente Dilma Rousseff ordenou uma resposta enfática do governo, colando ao vice-presidente a imagem de “golpista”, segundo a Folha de S. Paulo.

O ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) disse ao jornal que a fala de Temer “revela a trama golpista que o vice e sua turma vêm demonstrando há semanas”. “Estou estupefato. Ele está confundindo a apuração de eventual crime de responsabilidade da presidente Dilma com eleição indireta. Está disputando votos e transformou o processo numa eleição indireta para conseguir votos em favor do impeachment. Esse áudio demonstra as características golpistas do vice”, declarou Berzoini.

Para o Planalto, ao se antecipar à votação no plenário da Câmara, marcada para domingo (17), Temer cometeu o mesmo erro que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nas eleições municipais de 1985, em São Paulo, quando ele “se sentou na cadeira de prefeito antes da hora”. Na época, o tucano fez uma foto para uma revista sentado na cadeira de prefeito dias antes da votação, fator que poderia ter influenciado em sua derrota.

A ordem no governo agora é utilizar a fala do peemedebista para reforçar a munição contra ele também nas redes sociais, como o mentor do “golpe”.

Parlamentares e dirigentes do PT também foram surpreendidos pelo áudio e assumiram a mesma postura que o Palácio do Planalto: “No momento em que Temer se revela como o golpista que sempre foi, e se apresenta como alternativa de poder, potencializa as nossas chances de vencer a votação no plenário da Casa”, afirma Marco Aurélio Carvalho, coordenador do setorial jurídico do PT.

Michel Temer assumiu o equívoco pelo vazamento do áudio, mas afirmou que mantém o discurso. O peemedebista falou brevemente à imprensa e explicou que, a pedido de companheiros do partido, gravou discurso que poderia fazer se impedimento da presidente Dilma Rousseff fosse aprovado no plenário da Câmara dos Deputados.

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