“Tratei a paciente com o máximo respeito e forneci todas as informações pertinentes”, relatou ele, contra as narrativas anticientíficas sobre o aborto

Médico argentino recusa aborto: “Explico a verdade. Podem me processar“. Este é um resumo da posição adotada e mantida pelo doutor Jorge Alberto Maciel, obstetra e ginecologista pró-vida. Em entrevista com a agência católica ACI Prensa, ele declarou:

“Não me importo se me denunciam ou se me prendem por estar do lado correto da moral e da verdade”.

A denúncia em questão é um risco que ele corre desde que a Argentina legalizou o aborto livre até a 14ª semana de gestação. O senado aprovou a nova lei em 30 de dezembro, após meses de intenso ativismo do governo de esquerda do atual presidente, Alberto Fernández, em favor do aborto. O maior conglomerado de clínicas de aborto do planeta, a Planned Parenthood, aplaudiu com entusiasmo o que chamou de “vitória” na América Latina, recorrendo aos eufemismos ideológicos que apresentam o aborto como “direito reprodutivo”.

Explicando a realidade em vez das narrativas

Por sua vez, atendo-se apenas aos fatos e não às narrativas, o dr. Jorge Alberto faz questão de explicar às suas pacientes a realidade do aborto: como ele é realizado, quais são os seus efeitos para a gestante, quais são as alternativas e, obviamente, o que é o bebê em gestação e por que ele é um ser humano e não um genérico “monte de células”.

A nova lei do aborto na Argentina foi promulgada por Alberto Fernández em 14 de janeiro. Na mesma data, o dr. Jorge Alberto relatou, via rede social, já ter recebido o seu “primeiro pedido de aborto”. E acrescentou:

“Tratei a paciente com o máximo respeito e forneci todas as informações pertinentes. Queriam que falemos para elas sobre o aborto? Pois eu lhe contei tudo nos mínimos detalhes”.

Médico argentino recusa aborto: “Explico a verdade. Podem me processar”

 

Em sua conversa com a agência ACI Prensa, o doutor afirmou:

“Aproveitei para explicar a ela quais são os métodos de aborto e como cada um funciona, para que ela tenha uma ideia completa do que ela passaria. Expliquei os efeitos no corpo e no embrião, além das possíveis complicações físicas e psicológicas. Sempre me conduzi de maneira respeitosa e cortês. Se eu trato uma paciente com respeito, falo com ela com a verdade, me dou o trabalho de explicar tudo e, apesar disso, ela me denuncia e eu acabo sendo processado ou agredido na mídia, isso não vai tirar o fato de que eu agi corretamente. Prefiro morrer em pé do que viver ajoelhado”.

A respeito da falácia de que um bebê em desenvolvimento nas primeiras 14 semanas de gestação “não é um ser humano”, o médico responde:

Ideologias disfarçadas de “ciência”

De fato, não há nada de científico em alegar que um ser humano em seus primeiros estágios de desenvolvimento não é um ser humano. E mais estapafúrdio ainda é alegar que ele passa a ser uma pessoa de acordo com a convenção estabelecida pelos parlamentares de cada país, de modo que um monte de células só vai “virar gente” na 14ª semana se estiver em Buenos Aires ou na 12ª se estiver em Londres, enquanto sempre foi gente se estiver no Vaticano. A biologia da vida real não depende dos caprichos ideológicos do partido da vez.

O dr. Jorge Alberto também se posicionou sobre o dever moral dos médicos de defenderem a vida humana em todos os seus estágios:

“Para cada um de nós que se expõe publicamente na defesa da vida humana, pelo menos vinte preferem ficar em silêncio por comodidade ou por medo de processos ou de algum tipo de problema”.

Interesses por trás da legalização do aborto livre

Ele questionou ainda a escala de prioridades do governo argentino: enquanto o país vive um cenário catastrófico em termos de crise social, política e econômica, o presidente optou por concentrar todo o seu empenho em aprovar o aborto livre. No entanto, essa posição não surpreende o dr. Jorge Alberto:

“Isso já era esperado de quem compartilha ideologicamente a prática do aborto como um direito, o que é uma total falsidade. Eles estão acenando aos interesses estrangeiros que promovem o aborto em troca de empréstimos ou que proporcionam algum tempo de estímulos ao partido no poder, dado os interesses econômicos por trás do aborto”.

De fato, as próprias entidades multinacionais que financiaram a campanha pró-aborto na Argentina admitiram publicamente que trabalharam por esse objetivo durante ao menos 15 anos.

Fonte: Aleteia