Levantamento coloca praticamente todas as regiões do estado em patamar mais grave de transmissão. Apesar do número, instituição ainda não recomendou ao governo e prefeituras a medida restritiva

Um documento técnico publicado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nesta segunda-feira, revela números da pandemia por covid-19 no Rio que indicam a necessidade de lockdown.
 
Segundo o Covidímetro sobre a segunda semana de janeiro, cada pessoa infectada transmite a doença para outras 2,6, o que indica um risco acima do “Muito alto”. Apesar dos números, a universidade, até o momento, não recomendou às autoridades medidas tão restritivas de circulação. 
 
“Ações devem ser tomadas pelas autoridades competentes e pela população em geral para restrição da contaminação, como usar máscaras, conter aglomerações e vacinar-se, por exemplo”, pontuou a instituição, em nota. 
 

Covidímetro da UFRJ na segunda semana de janeiro de 2022 - Divulgação

Covidímetro da UFRJ na segunda semana de janeiro de 2022Divulgação
De acordo com o documento, todas as regiões do estado, exceto a Noroeste, tiveram números de risco de transmissão superior a 2, que é quando a medida de restrição máxima é recomentada “Lockdown é Necessário”. Na Região Metropolitana 1, que inclui a capital e cidades da Baixada Fluminense, o indicador ficou em 2,60, o que indica que cada pessoa com covid-19 transmite a doença para mais de duas.
 
O maior indicador foi registrado na Região Serrana, que inclui cidades como Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, que apontou a transmissão de uma pessoa para outras 2,76. No caso da Região Noroeste, esse número ficou em 1,61. Nesse patamar, os municípios ficam entre o risco “Alto” e “Muito Alto”, segundo o Covidímetro da UFRJ.
 
Ainda segundo o painel, a estimativa, considerando o atual cenário, é que os casos sigam em alta pelos próximos 15 dias, quando deve ocorrer uma redução. Até esse prazo, a UFRJ estima 3,2 milhões de novos diagnósticos positivos para covid-19 no Estado do Rio. O crescimento considera a manutenção e reforço de medidas como deslocamento mínimo possível, uso de máscaras, higienização, transportes coletivos adequados e sem aglomerações.
 
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio disse que “não há recomendação da UFRJ para lockdown”. A pasta disse ainda que a própria universidade possui um representante formal no Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC) da Prefeitura do Rio, que é o médico infectologista Alberto Chebabo, e nem ele ou qualquer outro membro do CEEC recomendou o lockdown no município do Rio de Janeiro.
 
A Secretaria de Estado de Saúde também foi questionada sobre a nota técnica da UFRJ, mas até o momento não emitiu parecer.