MANQUEIRA.

A manqueira é uma importante clostridiose e uma das principais causas de mortalidade em bovinos jovens e ovinos. Geralmente fatal, seu controle deve ser baseado em ações que envolvem o destino adequado das carcaças de animais mortos na propriedade e um programa vacinal bem estruturado, com uma vacina de qualidade, que garanta proteção frente aos desafios de campo.

O carbúnculo sintomático ou manqueira é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Clostridium chauvoei. Causa inflamação nos músculos, toxemia grave e alta mortalidade, é de extrema importância devido às grandes perdas econômicas que ocorrem nas criações bovinas. Essa doença também é chamada de “manqueira” devido à intensa claudicação apresentada pelos bovinos afetados.

A morbidade da doença é elevada, pois muitos animais podem albergar esporos dormentes em suas massas musculares, devido à alta contaminação do solo pelos esporos. Geralmente acomete bovinos entre seis meses a dois anos de idade. A taxa de letalidade do carbúnculo sintomático se aproxima dos 100%.

Tem ocorrência maior nos meses de verão e outono, sendo mais rara nos meses da estação fria do inverno.

A infecção ocorre quando os bovinos ingerem os esporos, presentes no solo durante o pastejo, e esses esporos alcançam o intestino e penetram pela mucosa intestinal e por meio da circulação alcançam o fígado e massas musculares. O Clostridium chauvoei tem preferência por se albergar nas grandes massas musculares dos membros posteriores e também se localizam nos músculos dorsais, cervicais, diafragma e coração. Sempre os melhores animais são comprometidos por apresentarem uma massa muscular mais desenvolvidas. Os bovinos encontrados mortos por carbúnculo sintomático estão quase sempre deitados de lado e com o membro posterior acometido estirado. Os esporos permanecem dormentes nos vasos das massas musculares e quando ocorre um trauma na região, como coice ou quedas, cria-se um ambiente anaeróbio (sem oxigênio), que favorece a germinação dos esporos e produção das toxinas bacterianas, a partir daí forma-se o quadro de gangrena e consequentemente desencadeia os sinais da “manqueira”.

Os sinais clínicos se caracterizam por claudicação acentuada, geralmente com inchaço da parte superior do membro acometido, apatia, perda do apetite, atonia ruminal, febre.  Nos estágios precoces, o inchaço é quente e doloroso, mas logo se torna frio e indolor e o edema e crepitação (subcutânea) causada pelo gás liberado podem ser sentidos. A pele perde a cor, torna-se seca e rachada. A doença se desenvolve rapidamente e o animal vem a óbito em 12 a 36 horas após o aparecimento dos primeiros sinais. Muitos animais podem morrer sem que sejam observados os sinais clínicos.

O correto diagnóstico do Carbúnculo Sintomático é muito importante para que sejam adotadas medidas eficazes de prevenção e tratamento dos outros animais susceptíveis do rebanho. O tratamento do Carbúnculo Sintomático pode ser feito com altas dosagens de antibióticos, porém o sucesso é mínimo e quase todos os animais vêm a óbito. Animais muito afetados pela doença, com muitas lesões musculares tem menos chance de sobreviver do que os animais com menos lesões, por isso o controle da doença é predominantemente baseado na prevenção, que é feita com a vacinação.

 

Profilaxia.

Como imunizar os animais

Em propriedades onde existe o risco de contraírem o clostridium (casos anteriores, criação intensiva, não retirada de carcaças de animais mortos do pasto, uso de silagem de origem não controlada, uso de aguadas comuns a outras propriedades ou reservas naturais), devem ser usadas duas vacinas:

Bezerros.

Se forem nascidos de mães vacinadas, deve-se iniciar a vacinação aos 3 meses de vida, com reforço após 4 semanas. Se as mães não foram adequadamente imunizadas, deve-se antecipar a primeira dose para os 7 dias de vida e fazer o reforço aos 30 dias. Nos dois casos, a revacinação (com uma dose) é anual (ou semestral em áreas de alta ocorrência de clostridioses).

Femeas Gestantes.

Fêmeas devem ter sua imunização antecipada para 30 dias antes do parto, de maneira a parir com o colostro rico em proteção contra as clostridioses. Dessa maneira os bezerros poderão aguardar com segurança a época de sua vacinação.

Outras informações sobre o tema podem ser obtidas na Secretaria de Ambiente e Agronegócio da Prefeitura Municipal de Seropédica, com o médico veterinário Elineu de Souza,pelo telefone 3787 8876 ou e-mail: [email protected]

ELINEU DE SOUZA

CRMV-RJ/1992.

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