As pequenas coisas que moldam o mundo muitas vezes passam despercebidas pelo olhar da população. No entanto, existem pesquisadores que dedicam a vida a identificar e compreender essas pequenas coisas, como é o caso do Professor Dr. Jarbas Marçal de Queiroz. Vinculado ao Departamento de Ciências Ambientais do Instituto de Floresta da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, o professor foi desde sua graduação atraído pelos estudos sobre insetos, tornando-se especialista em ecologia de formigas no decorrer de sua carreira acadêmica.

A paixão por esses pequenos insetos, importantes para a manutenção dos ecossistemas e ainda pouco estudados, levaram o professor Jarbas a criar, há mais de 10 anos, o Laboratório de Conservação, Ecologia e Mirmecologia no Instituto de Floresta da UFRRJ. Por esse laboratório já passaram alunos de diferentes cursos, principalmente da Engenharia Florestal e da Biologia.

Com uma equipe proativa e qualificada formada no laboratório, que conta com alunos de graduação e de pós graduação, o professor Jarbas resolveu oferecer o curso “USO DE FORMIGAS EM ESTUDOS E RELATÓRIOS AMBIENTAIS: DA TEORIA À PRÁTICA”. Trata-se de um Curso de Verão, também conhecido como Curso de Férias, oferecido aos estudantes de graduação da UFRRJ  e de outras universidades. A divulgação do curso foi feita pelo site da Rural e pela página de facebook do laboratório.

O curso começou no dia 18/02 (segunda-feira) e vai até 22/02 (sexta-feira), totalizando 30 horas. Para surpresa da equipe, o número de inscritos foi maior do que o esperado. Não podendo atender a todas as inscrições, teve de ser feita uma seleção por currículo para formar a primeira turma, composta por alunos dos cursos de biologia, engenharia florestal e geografia da UFRRJ, bem como das universidades UNIRIO E UBM (Universidade de Barra Mansa). A Prof Dra. Karine Bueno Vargas, do curso de geografia da Rural foi convidada a participar, tendo em vista o trabalho que realiza na Flona Mário Xávier e Jardim Botânico, com a criação de roteiros biogeográficos para trilhas, nos quais insere as formigas como pontos de interesse ambiental para discussão.

O curso coordenado pelo professor Jarbas será também ministrado por três de seus orientandos, sendo eles: Carlos Alberto dos Santos Souza (MSc) – Doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Biologia Animal – PPGBA;  Ricardino da Conceição Neto – Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Biologia Animal – PPGBA; Eder Cleyton Barbosa de França – Bacharelando pelo curso de Ciências Biológicas, UFRRJ (Bolsista de Iniciação Cientifica (CNPq), que mesmo ainda não tendo concluído a graduação apresenta profundo conhecimento na área, estando há 4 anos junto com o professor no laboratório.      

O objetivo do curso é apresentar aos alunos os aspectos básicos sobre a biologia e ecologia das formigas, incluindo suas relações e funções nos ecossistemas, e como utilizá-las em estudos ambientais. O curso visa proporcionar uma abordagem ampla para os participantes, com uma imersão completa nas atividades do pesquisador que trabalha com formigas, desde o planejamento do estudo até a divulgação de seus resultados. 

As principais Contribuições Científicas de Inovação da Proposta desse curso são:

Capacitar os discentes de Graduação e de Pós-Graduação  para o ensino, pesquisa e extensão; Preparar os alunos em recursos humanos para estudos e relatórios ambientais; e Proporcionar experiências de planejamento e execução de trabalho em equipe. Os organizadores garantem que farão o curso com mais frequência, diante o grande interesse apresentado por esta capacitação.

De acordo com o professor Jarbas, o emprego das formigas em estudos ambientais, tanto para levantamentos da fauna, quanto na avaliação de impactos ambientais decorrentes ou não de ações antrópicas é uma prática crescente em diversos países. Isso se deve ao fato das formigas estarem presentes nos mais diversos ambientes terrestres, apresentando alta diversidade em espécies, além de serem abundantes e de fácil amostragem.

Além disso, suas respostas às variações no ambiente são relativamente rápidas, potencializando sua utilização como indicadores ambientais. Suas relações com outros organismos fazem das formigas um grupo importante para o estudo e manejo do funcionamento dos ecossistemas. Entretanto, há ainda uma carência de profissionais adequadamente treinados para explorar todas as potencialidades desses insetos em estudos ambientais.