Texto da Danielle Menezes Andrade & Menezes Advocacia

Amanha domingo comemoraremos o dia internacional da mulher. E esse texto é dedicado aos homens que irão presentear suas mães, namoradas, esposas e irmãs com rosas, chocolates, sapatos e surpresas em geral.

É claro que sempre faz bem presentear quem a gente ama e reconhecer o valor que elas tem em nossas vidas. Mas para isso, existe aniversário, dia das mães, dia dos namorados, natal, etc. O dia das mulheres não foi criado para que elas ganhassem presentes, mas sim, para estimular a reflexão de um mundo mais igualitário.

As manifestações por melhores condições de vida pessoal e profissional datam desde o início do século XX e até hoje ainda lutamos para que as mulheres sejam respeitadas em nossa sociedade.

Se você homem, parou para escolher o presente de sua mãe, pare mais um pouco para analisar em como você se comporta em relação aquelas outras mulheres que estão fora do seu laço afetivo.

Como você se comporta com aquela mulher que te diz não numa balada? Ou ainda como você se comporta na divisão das tarefas domésticas com a sua esposa. Ou qual a sua opinião em relação a “marcha das vadias”? E sobre as mulheres para se casar e as para se divertir? Existe essa diferença na sua cabeça? Se sim, você ainda não é o homem que queremos ter em nossa sociedade.

Se você for chefe, qual a igualdade praticada em sua empresa entre os salários dos profissionais homens e mulheres? Ou como você se comporta diante de uma mecânica ou motorista mulher? Como você acha que ela deve se comportar? Qual o papel na sociedade que você destina às mulheres?

Uma recente pesquisa, constatou que quanto maior a empresa maior a diferença entre os salários, podendo chegar até a assustadores 45%, onde uma mulher desempenha as mesmas funções e com a mesma habilidade técnica de um homem (ou até melhor). A maioria estudou muito mais do que os homens, mas mesmo assim os seus salários são inferiores e poucas ocupam cargo de liderança. Vergonha maior é daqueles homens que não sabem lidar com esposas mais bem sucedidas do que eles, como se as mulheres não fossem capazes de alçar vôos maiores que os seus maridos ou ainda que a responsabilidade da manutenção de um lar fosse toda ou essencialmente do homem.

Saindo do mundo corporativo e indo para as famílias, vemos que a educação fornecida ao filho ainda possui uma larga diferença em relação educação fornecida às filhas. O filho é incentivado a iniciar sua vida sexual cedo, como forma de demonstrar ao mundo a sua virilidade. Já a mulher, só passa a ter valor, se ela se der ao respeito. E o que seria se “dar ao respeito”? Que tipo de ação, poderia levar alguém a achar que uma mulher “não se dar ao respeito”?, e por que a exploração da sua própria sexualidade seria uma falta de vergonha?

A noção de respeito à mulher, precisa começar na infância. É ali que os nossos valores começam a ser construídos e o respeito pelas diferenças começam a tomar forma. É ali, que muitos pais colocam as mulheres como procriadoras, submissas ou donas de casa, mesmo que elas produzam tanto quanto os homens. É na adolescência onde os pais criam um abismo muito maior. Os homens podem namorar e levar suas namoradas para casa. As filhas não. Os homens não tem horário. O homem é incentivado a sua vida sexual para demonstrar sua virilidade, a mulher é incentivada a ser prendada para casar.

Outra pesquisa recente, demonstrou que o Brasil é o país menos seguro para que as mulheres viajem sozinhas. Qual será o caminho que devemos seguir para mudar esta triste realidade? Qual será a parcela de responsabilidade das próprias mulheres ao educarem os filhos?

As mulheres não lutaram pelo oito de março para ganhar presentes, lutam pela igualdade, pela isonomia. Elas lutam pela liberdade de ir e vir sem serem chamadas de gostosa, delícia e qualquer outro tipo de coisa na rua. Elas lutam pela liberdade de usar o tipo de roupa que quiserem sem correr o risco de serem estupradas. Lutam pela possibilidade de serem reconhecidas pelo o que realmente produzem e lutam ainda para serem ouvidas como ser humanos completamente inteligíveis.

Mas a sociedade ainda está longe do ideal. Ainda enfrentamos todo tipo de desrespeito e violência diariamente em nossas rotinas. E quando digo, DIARIAMENTE podem ter certeza de que não é exagero. Sempre que ouço que a minha obrigação como mulher e esposa é a de cozinhar pelo meu marido, tenho vontade de “enfiar um soco” na cara do interlocutor. Sempre que ando na rua e ouço qualquer tipo de cantada nojenta, tenho vontade de tomar banho com criolina para limpar tamanha invasão da minha privacidade. E tudo isto acontece TODOS OS DIAS na minha rotina e na rotina de inúmeras outras que conheço e desconheço, sentir medo de andar na rua simplesmente por ser mulher, não pode ser considerado algo normal, não pode ser considerado um avanço, não pode ser considerado motivo para comemorar.

Um exemplo recentíssimo, é a propaganda de uma grande marca de cerveja (sempre elas) divulgada no Carnaval e altamente criticada pelos consumidores, em que eles afirmavam que a mulher deveria se submeter a qualquer tipo de proposta. As mulheres fizeram valer sua condição de ser humano e merecedoras de respeito e conseguiram tirar do ar tamanho ode ao machismo arraigado em nossa sociedade e muitas vezes imperceptíveis.

Portanto meus caros leitores homens, se você for presentear suas mulheres amadas com flores, chocolates e outras surpresas, acrescentem um presente especial à elas e para as outras mulheres deste mundo: o respeito, para que não num futuro muito distante a gente possa comemorar o dia das mulheres lembrando de uma realidade triste mas que já fora deixada no passado.

Dia Mulher