Nesta ultima sexta feira, dia 26, um caso fatídico entristeceu o Brasil todo. Um bebe recém-nascido foi encontrado, ainda com o cordão umbilical, e sujo do parto, dentro de uma bolsa no Parque Caxias, município de Seropédica. Na rua Benedito Costa 33. Estava pesando dois quilos e 100 gramas. Prematuro, de 35 semanas. A bolsa estava pendurada em um vergalhão do muro de uma casa. Levado por policiais para a maternidade de Seropédica, lá recebeu o nome de Gabriel.

O caso, que está em andamento pela 48ª DP (Seropédica). Será também enviado para o Ministério Público. A mãe foi presa por policiais da 48ª DP. Ela foi capturada em flagrante pelo crime de abandono de incapaz. Segundo os agentes, eles chegaram até a criminosa após análise de imagens de câmeras de segurança da localidade. Familiares estão sendo chamados para prestar depoimento.

A criança foi encontrada pela dona da residência, que ouviu um choro quando saia para trabalhar.  Anderléia Ferreira é professora, e ela achou que haviam abandonado um gato em seu portão. Desesperada, pediu ajuda aos vizinhos que chamaram a polícia. Mas graças à Deus, ela encontrou o infante, e deu prosseguimento no socorro.  O Capitão da Policia Militar Jade Reis de Oliveira, nos mostrou mais uma vez que, a Policia Militar não está disposta apenas pra trocar tiros com bandidos. Mas eles operam também fazendo um excelente serviço social, prestando socorros, arriscando suas vidas. De fato, a lei teve de ser feita. E a polícia está sempre a seguir a lei. Desse modo, Policiais da 4º Cia estão de parabéns.

E a questão que quero tocar, é no fato da mãe ter abandonado a criança. Muitos estão metralhando a mãe.  Apontando dedos julgadores para ela.  A mulher tinha ainda outros cinco filhos. Um caso realmente complicado. Mas creio piamente que deva ser analisado com coração, com um pouco mais de cuidado e atenção. Nós não podemos julgar com crueldade e sangue nos olhos.

De fato, essa mulher precisa de ajuda. Não venha me dizer o que ela deveria fazer e blá blá blá. Tipo, “ ah, ela deveria ter ido na secretaria não sei das quantas”, ou, “ ah ela poderia ter pedido ajuda a não sei quem, que ajuda com assistência em tal lugar”. Não.  A coisa já foi feita. A criança já está bem.  Está na maternidade. Ela está respondendo por isso. A questão é, vamos tentar entender mais ou menos a mente dessa mulher e o que ela está passando. Se você observar, você vai ver que o bebê foi cuidadosamente colocado numa bolsa aberta, lugar alto e no muro de uma residência. Certamente ela estava por perto vigiando, ou alguém de sua confiança. E a minha preocupação, é que, quando essa mulher for solta, o que poderá ocorrer a ela? Ela também está correndo risco de vida.

Para nós homens é muito fácil criticá-la. Ela que passou meses e meses com o bebe no ventre sentindo todo o tipo de desconforto.  Muitos dos homens, nem procuram depois assumir a responsabilidade de pai. Não dão nenhum tipo de suporte. Mas estão sempre prontos para criticar. Não quero dizer que ela está isenta de culpa, não. Ela poderia ter evitado. Mas é muito mais cômodo pra nós, ou quem está de fora, julgá-la por um ato, que eu duvido plenamente que ela cometeu por maldade, por ódio, por repulsa, ou nutrida por algum outro sentimento de revolta e raiva. Ela simplesmente se viu incapaz naquele momento de dar prosseguimento como cuidadora daquela criança, preferindo então que alguma outra pessoa fizesse isso.  Por isso que a minha pergunta é, aonde está o pai da criança?  Aonde ele foi parar? Ele, pra mim, por ser homem, e carregar sobre si toda a carga emocional da mãe, e na hora que era pra ele dar um suporte psicológico pra ela, sumiu! Não se sabe dele! Não é feio ser mãe solteira. Feio é ser pai, saber que é pai, e simplesmente não está nem ai.

É nítido um estado mental alterado da mãe. E é mais nítido ainda a impossibilidade dela de cuidar daquela criança. Não que ela estivesse certa em fazer o que fez, de maneira nenhuma. Mas o medo, o terror e a total insegurança tomou conta de sua alma e ela então impulsionada por esses problemas, fez o que fez. É um transtorno de personalidade. E pelos especialistas da área, dizem que, na total maioria das mães que abandonam os filhos é porque sofreram maus tratos na infância. São mães que sofreram rejeição, abuso físico e moral, negligência e violência na infância. E embora seja algo a ser trabalhado com ajuda profissional deve ser compreendido pela sociedade.

Não digo que a sociedade deve aceitar essa prática sendo como um sintoma e tal… Mas digo que estas mulheres necessitam de apoio, de segurança, de terapia, e não de dedos julgadores. Temos que entender esse perfil, onde a mulher tem suas estruturas psíquicas abaladas. Elas foram abusadas, rejeitadas e isso deixa uma impressão que acaba passando para o filho. A criança traz todo o significado de rejeição, que algumas nem querem sentir. Uma das questões levantadas é porque estas mães não entregam o filho para o juizado ou para a adoção. Para Weber, especialista em abandono e adoção de crianças no Brasil, entregar a criança para a adoção também é um abandono e as mulheres sentem vergonha de assumir isso em público. “Muitas não sabem que podem deixar seu bebê para adoção, que isto não é crime, e há toda a questão cultural do instinto materno, do amor, que ela não sente”, diz o especialista. Sem falar na depressão pós parto, tais mulheres se sentem culpadas por não terem energia para cuidar do bebê.  Os psiquiatras dizem que elas precisam ser ajudadas e não julgadas.

Não estou dizendo que não deve haver punição, que a lei não deve ser cumprida, ou muito menos estou fazendo apologia a qualquer tipo de “alisamento de cabeça”. Não. A correção está aí. A lei da semeadura é real, absoluta e verdadeira: o que o homem plantar, isso é o que ele vai colher. Todas as vezes que erramos, devemos sim, ser corrigidos. Isso tem que ficar bem claro. O povo adora distorcer as palavras dos outros, isolando todo o contexto. O que eu quero dizer, é que devemos aprender a escutar, observar, prestar atenção nas minúcias, devemos olhar todo um histórico para que assim, tenhamos conclusões. Uma página má escrita, não invalida todo um livro ou uma história. São erros de percurso, que nenhum de nós está isento. E muitas vezes erramos na tentativa de fazer da maneira certa.

O Seropédica Online esteve com Wanes, e com Thiago Rosa, do Conselho Tutelar, e eles dão algumas informações para aquelas mães que estão na mesma situação e que não sabem o que fazer. Eles nos dizem claramente que no município existem vários órgãos prontos pra ajudar, como a Secretaria de Saúde, a Secretaria de Assistência, prontos para ajudar as mães. Outro dado importante que Wanes nos dá, é que a mãe da criança, do caso que estamos em especifico, tem um histórico bom. Ela é uma boa mãe e cuidou muito bem dos outros cinco filhos dela. O que claramente nos aponta que realmente ela não merece ser apedrejada pela sociedade.

Em suma, eu peço que o povo tenha compaixão. Que o povo ore por essa mulher. Ela por mais errada possível, deve ter um tratamento digno, com carinho e atenção. Ela precisa de cuidados.  Ela não abortou a criança. Ela sabia que a vida daquela criança tinha que continuar e que sob seus cuidados isso não seria possível mediante as circunstancias que ela vive. Procuremos entender. Se o próprio Jesus já a perdoou, nós não perdoaríamos? Se o próprio Cristo não a apedrejaria, não seremos nós quem a apedrejaremos.

conselho tutelar

Um abraço e que Deus nos abençoe!

J.C.Marques