Personagem de infância, o Leão da Montanha é uma onça-parda

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Nomes populares: onça-parda, suçuarana, onça-bodeira, mossoroca, leão-baio, puma, leão-da-montanha.
Nome científico: Puma concolor
Estado de conservação: “pouco preocupante” (LC) na lista vermelha da IUCN e não consta na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção

Quem cresceu nas décadas de 1960 e 1970, provavelmente conheceu o Leão da Montanha, personagem de Hanna-Barbera marcado pelo bordão “Saída pela direita/esquerda”, usado por ele todas as vezes em que precisava fugir de algum apuro.

Infelizmente, não há saídas fáceis para a situação em que se encontra a espécie à qual nosso herói pertence.
Perda de habitat provocada pela derrubada de vegetação nativa, queimadas, expansão de áreas agrícolas, caça e atropelamentos são algumas das ações praticadas pelo homem que colocam o segundo maior felino das Américas em risco.

A onça-parda ou suçuarana, como é mais conhecida no Sul, Sudeste e Centro-Oeste brasileiros, ocorre do Canadá ao extremo sul da Argentina e Chile. No Brasil, é encontrada em todas as regiões e biomas. São capazes de habitar vários tipos de ambientes, sejam desertos quentes, florestas tropicais e temperadas e montanhas.

Apresenta coloração que varia entre marrom acinzentado claro e marrom avermelhado escuro, com a região ventral clara. Os filhotes (um a seis por gestação) nascem com pintas pretas, que “desaparecem” conforme crescem. A onça-parda é um dos poucos grandes felinos que não rugem, emitindo um som similar ao do gato doméstico.

A vocalização das onças-pardas lembra o miado dos gatos-domésticos – Foto: Ltshears/Trisha M. Shears,

Ágeis caçadoras, alimentam-se de pequenos vertebrados e até de invertebrados e transitam com destreza em cima das árvores – são excelentes escaladoras. São noturnas, mas podem ser vistas também durante o dia. Preferem caçar no crepúsculo.

Animais solitários, só formam casais na época de reprodução. Eventuais grupos serão compostos por mães e filhotes ou irmãos jovens perto de dispersarem-se.

Não é agressiva e mesmo quando encontra o homem, raramente o ataca. Na verdade, o oposto é o que acontece, seja por retaliação por ter caçado animais domésticos/gado, seja por simples (?) ignorância. Esses animais foram intensamente caçados desde a colonização e, com a expansão das fazendas e o aumento da malha rodoviária no país, a situação só piorou.

 

As populações de onças-pardas são pequenas e a reposição de indivíduos é lenta. Qualquer perda impacta em muito a espécie. Aqui no Brasil, a expansão agrícola, pecuária, exploração mineral e urbanização são as principais causas da diminuição do número desses animais.

Felizmente, há iniciativas de algumas instituições, que trabalham em seu monitoramento e conservação, além de acolher animais feridos e debilitados. É preciso conscientização e ação.

Se como destacou o querido Erasmo Carlos, que nos deixou recentemente, ficarmos em frente ao coqueiro verde esperando uma eternidade sem nada fazer, em breve o leão-da-montanha será apenas mais uma lembrança de infância…

Fonte: Fauna News

Bióloga, mestra em Zoologia pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro e professora nas redes estadual e particular do Rio de Janeiro.
olhaobicho@faunanews.com.br