Árvore genealógica dos sapos surgiu há 180 milhões de anos, no Período Jurássico, revela nova e intrigante descoberta

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Os anfíbios anuros, grupo composto por animais de quatro patas, corpo curto e que não possuem cauda, como sapos, rãs e pererecas, podem ser encontrados em todos os continentes do planeta, com exceção da Antártica. Vivem nos mais diferentes e inusitados ambientes: entre folhas no alto das florestas dos Andes até escondidos na areia de rios da Austrália. Estima-se que sejam mais de 7,5 mil espécies no mundo e cerca de 2,6 mil delas estão na América do Sul.

Há anos cientistas tentam apontar quando exatamente foi o início da evolução, em diferentes gêneros, famílias e espécies, dos sapos. Ou seja, conseguir entender a cronologia da árvore genealógica desses anfíbios. Até então acreditava-se que era por volta de 215 milhões de anos atrás, próximo ao fim da Era Triássica, que eles apareceram, quando dinossauros e mamíferos também estava evoluindo. Mas agora, graças à junção de exames moleculares e de DNA moderníssimos, coleta de vestígios fósseis e computação de última geração, é possível afirmar que foi mais tarde, há 180 milhões de anos, no começo do Jurássico.

Apesar de parecer insignificante para os leigos, para os cientistas saber datas exatas é importante para determinar a evolução e a distribuição das milhares de espécies existentes.

“Descobrir que os sapos são mais jovens significa que eles se diversificaram em milhares de espécies mais rapidamente do que se pensava antes”, diz Jeff Streicher, curador de répteis do Museu de História Natural de Londres e um dos pesquisadores envolvidos no estudo, tema de um artigo científico recém publicado no jornal Molecular Phylogenetics and Evolution.

Para conseguir chegar a essa data, 180 milhões de anos atrás, o grupo de pesquisadores de instituições dos Estados Unidos e da Inglaterra, analisou dados genéticos de 5.242 espécies de sapos, representando impressionantes 68% de todas as espécies conhecidas, e assim elaboraram a árvore da vida mais abrangente para os anfíbios.

“Houve estudos anteriores que utilizaram muitos dados genômicos dos sapos, mas incluíram apenas um pequeno número de espécies. Isso ocorreu porque só podíamos analisar alguns dados antes que a análise computacional não funcionasse mais”, explica Streicher. “O grande avanço foi que conseguimos contornar a limitação computacional porque agora temos acesso a servidores melhores que nos permitem usar mais memória do que jamais conseguimos antes”.

Agora os pesquisadores poderão compreender, por exemplo, como o parente mais próximo de uma espécie de sapo encontrada em florestas tropicais temperadas do noroeste dos Estados Unidos vive há milhares de distância, no lado oposto do Oceano Pacífico, nas matas da Nova Zelândia. Ou então, anfíbios da América do Sul que são aparentados com os da Austrália.

Árvore genealógica dos sapos surgiu há 180 milhões de anos, no Período Jurássico, revela nova e intrigante descoberta O sapo-musgo-vietnamita (Theloderma corticale) da família Rhacophoridae pode ser encontrado ao norte do Vietnã e na China
(Foto: sheilapic76/creative commons/flickr)

*Com informações e entrevistas retiradas da reportagem do site do Natural History Museum

Foto de abertura: Stephanie LeBlanc on Unsplash

Suzana Camargo
Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Fonte: Conexão Planeta