Os aeroportos sempre foram uma ótima saída para todos os problemas nacionais, já dizia o eonomista Roberto Campos nos anos 70. Para a esquerda que odiava a ditadura e não queria pegar em armas, para os brasileiros de todos os segmentos políticos que sentiam no bolso os efeitos dos planos econômicos fracassados e, enfim, para quem não acreditava que o país do futuro um dia fosse chegar por estas bandas.

Ao longo deste tempo, os aeroportos também foram, do ponto de vista estratégico, uma excelente saída para os clubes de futebol enfrentarem seus problemas financeiros. A exportação
de jogadores representava um ponto de equilíbrio. Era o que muitas vezes ajudava a cobrir rombos no orçamento e a permitir a chegada do fim de ano no azul. Hoje a situação mudou e com o fechamento da janela de transferências para a Europa será difícil para a maioria respirar com alívio nos próximos meses. Simplesmente não é mais permitido aos grandes clubes fazerem negócios como antigamente. O São Paulo recebeu 6 milhões de euros (R$ 18 milhões) do Barcelona pelo lateral direito Douglas. O Grêmio teve que se contentar em receber parte dos 5 milhões de euros (R$ 15 milhões) que o Bayer Leverkusen da Alemanha pagou pelo lateral esquerdo Wendel. O zagueiro Kléber do Corinthians se mandou para o Hamburgo, também da Alemanha, pela modesta quantia de 3 milhões de euros (R$ 9 milhões).

Bem fez o Cruzeiro que rejeitou uma proposta de 10 milhões de euros (R$ 30 milhões) feita pelo Monaco por Éverton Ribeiro. O jogador foi eleito o craque do campeonato Brasileiro do ano passado, continua em ótima fase e foi ainda mais valorizado com a primeira convocação para a seleção. Antes disso, o Cruzeiro havia recusado uma oferta pelo artilheiro Ricardo Goulart. Com a manutenção dos seus dois principais jogadores, os mineiros caminham firmes para a conquista do bi-campeonato brasileiro.52efd26b2ffe87.40059303thumb1

O mercado internacional de transferências, especialmente o europeu, não tem mais aqueles olhos gulosos para nossos jovens jogadores. O Real Madri, por exemplo, gastou R$ 250 milhões para tirar o colombiano James Rodriguez do Monaco e vendeu para o Manchester United por quase R$ 230 milhões o argentino Di Maria. A Premier League, aliás, bateu o recorde de gastos nesta janela: os 20 clubes da liga inglesa investiram R$ 2 bilhões e meio em negociações de atletas.

Sobre esta nova configuração do mercado eu conversei com o empresário Vágner Ribeiro, um dos responsáveis pelas milionárias transferências de Lucas para o Paris Saint Germain e de Neymar para o Barcelona:

– O momento é ruim mesmo, é uma crise internacional ou é uma dificuldade pela qual passa o futebol brasileiro que não revela mais tantos jogadores?

A crise é geral. Na Europa o dinheiro tá curto e aqui no Brasil temos poucos jogadores com apelo nos clubes europeus. Por isso, fizemos poucos negócios.

– Não se faz mais negócios como há dois, três anos?

Não. Eu mesmo fiz só dois negócios agora. Dois jogadores, o Gulherme do Corinthians e o Lucas Evangelista do São Paulo. Os dois foram para a Itália. Normalmente, nesta época do ano, cada agente faz de cinco a seis negócios. Deu uma caída.

– Em relação a valores, o que você pode falar?

Bem aquém. O Guilherme do Corinthians foi vendido por quatro milhões de euros (R$12 milhões) para a Udinese e o Lucas Evangelista por seis milhões (cerca de R$ 18 milhões) também para a Udinese.

– Nos bons tempos eles seriam negociados por quanto?

Uma operação destas num mercado normalizado chegaria a trinta milhões de euros (R$ 90 milhões), quinze milhões para cada um (R$ 45 milhões), porque são jogadores de clubes importantes e de grande potencial.

– E a curto prazo, você espera uma recuperação do mercado?

Olha, a crise na Europa continua e estamos também numa ressaca de Copa do Mundo. Está vindo uma nova safra de jogadores eu acredito que só vai melhorar depois das olimpíadas de 2016.robbenredegoltitulofinal2505rt1

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