Exame que realiza sequenciamento de genes em busca de mutações pode ajudar a prevenir diagnósticos de cinco tipos de câncer e outras enfermidades tratáveis e comuns no país

O que você faria se você pudesse ter acesso a dados do seu DNA que indicassem predisposição genética a uma série de doenças graves e tratáveis? A ideia pode provocar ansiedade em algumas pessoas, mas, na prática, ela é capaz de prevenir milhares de casos de câncer, por exemplo. É o que mostra um estudo liderado pela Universidade de Queen Mary de Londres, com participação de pesquisadores brasileiros e publicado neste mês  na revista científica Cancers.

De acordo com a pesquisa, o acesso a testes que identifiquem mutações genéticas ligadas ao desenvolvimento de tumores poderia prevenir entre 2.319 e 2.666 casos de câncer de mama e de 327 a 449 casos de câncer de ovário a cada 1 milhão de mulheres. Considerando que atualmente a estratégia é testar apenas pessoas com histórico familiar e alto risco, o acesso geral aos testes pode levar a uma prevenção muito maior e salvar ainda mais vidas.

Pensando nisso, a empresa brasileira meuDNA, já conhecida por fazer testes de ancestralidade, lançou em junho de 2020 um teste genético que promete tornar mais acessível a identificação de predisposição genética a nove doenças graves, tratáveis e comuns à população brasileira: triglicerídeos altos, colesterol alto, doença de Wilson e cânceres de mama (feminino e masculino), ovário, próstata, pele (melanoma), endométrio e o colorretal.

Por meio de um exame de exoma, genes responsáveis pela produção de proteínas ligadas a essas doenças são sequenciados em busca de mutações que possam apontar alguma tendência a desenvolver essas enfermidades. Ao contrário do que ocorre em laboratórios do exterior, que analisam apenas entre três a 15 posições (ou letras) de um gene, o teste meu DNA Saúde escaneia todo o gene em busca de variantes genéticas de risco.

No caso dos cânceres de mama, ovário e próstata, por exemplo, o exame analisa todas as 15 mil letras dos genes BRCA1 e BRCA2 para procurar variações que predisponham ao desenvolvimento de tumores. Alterações no gene BRCA1 elevam o risco de uma mulher ter câncer de mama em até 72%, enquanto essa probabilidade na população geral é de 9%. Em relação ao câncer de próstata, variantes patogênicas no BRCA1 aumentam a predisposição em 29%, e mutações no BRCA2 elevam em até 60%.

Fonte: Galileu 

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