Uma pesquisa realizada na Bélgica e divulgada pela revista científica ScienceDirect nesta segunda-feira (24) demonstrou que o uso precoce ou tardio da hidroxicloroquina está associada à queda de mortalidade. O estudo foi feito com a análise de dados de mais de 8 mil pacientes belgas, que foram divididos em dois grupos – um deles tratados com hidroxicloroquina e cuidados de suporte, o segundo apenas com cuidados de suporte.

Segundo a pesquisa, “a monoterapia com HCQ [hidroxicloroquina] administrada em uma dosagem de 2.400 mg durante cinco dias foi independentemente associada a uma redução significativa na mortalidade em comparação com pacientes não tratados com HCQ.”

Os pesquisadores realizaram uma análise retrospectiva da mortalidade intra-hospitalar, isto é, parcialmente dentro de um hospital. Foram usados dados de pacientes com a doença confirmada até 1º de maio e que tiveram alta até 24 de maio. Ao todo, 4.542 pacientes receberam HCQ em monoterapia com o mínimo recomendado e 3.533 pessoas estavam no grupo sem HCQ. A morte foi relatada em 804/4542 (17,7%) e 957/3533 (27,1%), respectivamente.

Conforme o estudo, o banco de dados continha um total de 15.544 prontuários de pacientes COVID-19 provenientes de 109 hospitais belgas. Após a exclusão de pacientes que não atenderam aos critérios de inclusão, 8.910 casos foram incluídos para análise descritiva. Desses, 835 pacientes foram removidos do estudo por receberam outro medicamento combinado com hidroxicloroquina contra a doença.

Cerca de 60% dos pacientes com COVID-19 hospitalizados tinham mais de 65 anos. Em geral, os participantes estavam gravemente doentes com mais de 80% deles com pneumonia radiológica.

Os pacientes do grupo HCQ eram mais jovens e possuíam menos comorbidades, incluindo doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, doença renal crônica, distúrbios neurológicos e cognitivos, câncer sólido, obesidade, bem como a proporção de fumantes ativos. Por outro lado, na admissão, os pacientes no grupo HCQ pareciam estar mais doentes, conforme refletido pela maior frequência de pneumonia radiológica, síndrome do desconforto respiratório agudo, transferência de UTI nas 24 horas após a admissão e suporte ventilatório invasivo.

Por fim, os pesquisadores dizem que “considerando o fácil acesso e baixo preço da hidroxicloroquina, parece valer a pena investigar ainda mais o efeito clínico da dosagem otimizada de HCQ e desenvolver estudos complementares.” O estudo científico foi conduzido por uma equipe de especialistas e pode ser conferida na íntegra no link (disponível apenas em inglês).

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0924857920303423#

Faça o seu comentário