O câncer de próstata é o segundo mais comum em homens no Brasil, ficando atrás apenas do tumor maligno de pele. Estima-se que durante a vida, um em cada nove homens terão a doença e que a cada 41, um deve morrer por conta da enfermidade. Um dado pouco conhecido, entretanto, é que a causa de morte não-oncológica mais comum nesses pacientes é por complicação cardiovascular e que cerca de 33% dos pacientes já possuem uma doença do coração associada no momento do diagnóstico do câncer.

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Reprodução/PixabayQuem já tem doença cardiovascular estabelecida muitas vezes apresenta quadro sem sintomas. “É importante que esse paciente seja avaliado para os fatores de risco, como obesidade, tabagismo, sedentarismo e diabetes. Assim, é possível iniciar o tratamento para o câncer de maneira adequada”, destaca Ariane Vieira Scarlatelli Macedo, cardiologista, vice-presidente do grupo de estudos brasileiro de cardio-oncologia da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) e mestre pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Um dos motivos para o surgimento de complicações cardiovasculares nos pacientes com câncer pode ser o próprio tratamento oncológico. O câncer de próstata pode ser tratado com cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapia de privação androgênica (ou ADT, sigla em inglês que significa “Androgen Deprivation Therapy”). Esses tratamentos podem ser utilizados de maneira isolada ou em combinação.

A terapia de privação androgênica consiste na redução dos níveis do hormônio testosterona por meio de medicamentos. Estudos clínicos têm mostrado que os homens tratados com ADT são os que apresentam maior risco de apresentar complicações cardiovasculares, como infarto, ao longo do tratamento do câncer de próstata.

Entretanto, dentre os fármacos utilizados para ADT, novas evidências apontam diferenças quanto ao perfil de segurança cardiovascular. Estudos recentes têm mostrado que, em homens com câncer de próstata e doença cardiovascular, o uso de terapia com bloqueador de receptor do GnRH (Hormônio liberador de gonadotrofina) se associou com menos complicações cardíacas quando comparados a outra modalidade de ADT.

Por conta da correlação entre as duas enfermidades, o tratamento do câncer de próstata exige um olhar multidisciplinar com cardiologista e oncologista trabalhando em conjunto. “Essa parceria é essencial para escolher a melhor terapia, levando em conta os riscos e benefícios para o paciente. Vamos sempre procurar encontrar o melhor tratamento para o câncer, mas que também seja seguro para o sistema cardiovascular”, explica a especialista.

Redação Bonde com Assessoria de Imprensa

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