De acordo com infectologista, a lavagem de mãos com água e sabão ou álcool deve ser um hábito diário

Micro-organismos que podem causar doenças, como bactérias, fungos ou vírus, estão em toda a parte – no carrinho de supermercado, caixa eletrônico, telefone, maçanetas de portas, alimentos. Alguns deles são muito resistentes e conseguem se adaptar facilmente ao ambiente.

De acordo com Viviane Maria de Carvalho Hessel Dias, infectologista do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba, as bactérias são importantes para a manutenção do equilíbrio de funções corporais, mas também podem causar infecções dependendo das condições de saúde da pessoa. “Além das bactérias, outros microrganismos como os vírus podem invadir o corpo e causar doenças como resfriado, gripe, conjuntivite, diarreia e hepatite A, as quais poderiam ser evitadas com o simples hábito da lavagem ou higiene de mãos”, destaca.

Segundo a médica, a lavagem de mãos com água e sabão ou álcool deve ser um hábito diário. É indispensável higienizá-las antes de comer, beber ou simplesmente após pegar qualquer objeto enquanto estiver se alimentando. “O uso de água e sabonete é suficiente para os contatos sociais em geral e para a maioria das práticas nos serviços de saúde”, orienta.

A servidora estadual Elisete Caetano, 38, de Londrina, relata que em casa, além do hábito de lavar as mãos, usa o álcool 70%. “No banheiro, eu deixo um frasco de álcool gel”, reforça ela, dizendo que tem a preocupação de evitar doenças e procura passar orientações ao filho de 12 anos. “Sempre que ele chega da rua, faço ele lavar as mãos e sempre antes de comer também.”

Algumas bactérias podem invadir o corpo e causar uma infecção, especialmente quando existem condições favoráveis como quebra das barreiras de proteção naturais do corpo e contaminação das mãos. O hábito de apertar uma espinha, por exemplo, pode fazer com que o Staphylococcus aureus, uma bactéria que comumente coloniza a pele, penetre nas camadas mais profundas causando uma infecção mais séria. “Para prevenir esta situação é importante higienizar as mãos e o local que será manuseado, observa a especialista.

CRIANÇAS

A médica infectologista reforça que hábitos de higiene devem ser ensinadas para as crianças, já que a mão é uma das vias de transmissão mais comum. “A atenção deve ser ainda maior. Os pais devem orientar os filhos a cobrirem a boca e o nariz quando tossir ou espirrar, e sempre que possível lavar as mãos em seguida.” Outra dica importante para as crianças inclui a higiene das mãos após tocar em animais de estimação ou brincar em áreas externas, com terra ou areia. Jaqueline de Souza, 21, conta que procura passar orientações para a filha Livia, 2. Ela também toma cuidado porque tem uma gata que vive dentro de casa. “Como a Livia brinca bastante com a gata, que solta bastante pelo, sempre lavo as mãos dela depois.”

NA COZINHA

Alimentos precisam de refrigeração adequada, especialmente em épocas de temperatura mais quentes. Para a infectologista, é importante respeitar o prazo para consumo desses alimentos. “Alimentos perecíveis depois de abertos sofrem exposição ar ambiente e com isso têm risco maior de contaminação bacteriana ou fúngica. E assim o alimento estraga mais rapidamente.”

Ao consumir alimentos crus, como folhas e legumes crus, a recomendação é lavá-los bem. Os utensílios de cozinha também precisam de atenção na limpeza. “Um desinfetante efetivo que pode ser utilizado para limpeza é o hipoclorito”, indica a infectologista.

A servidora estadual costuma usar uma colher de água sanitária dissolvida em água para limpeza das folhas verdes. “Deixo as verduras cruas na água com uma colher de água sanitária. Depois de alguns minutos, já dá para enxaguar e está pronto para comer.” O mesmo procedimento é seguido por Souza. “Fui ensinada a usar um pouquinho de água sanitária quando for preparar alface.” Ela também tem o costume de lavar os utensílios da cozinha mais uma vez antes de usar, mesmo quando estão limpos no armário.

Em casa, o banheiro e a cozinha, são os locais preferidos das bactérias. “Muitas doenças infecciosas são transmitidas pela via fecal-oral, por isso um dos cuidados básicos para qualquer pessoa é adquirir o hábito de higienizar as mãos imediatamente após utilizar o banheiro”, orienta a médica. Deve-se ter cuidado também após tocar em maçanetas e descargas, por exemplo. Ainda mais em banheiros públicos, onde o fluxo de pessoas é muito grande.

Quando se está fora de casa e o acesso à água e ao sabão não é garantido, o uso do álcool 70% é uma maneira tão eficaz quanto de garantir a higiene das mãos. A médica aponta esta como uma alternativa prática. “A dica é levar na bolsa um frasquinho com álcool, para situações de necessidade”. Ela reitera, porém, que o álcool comum de cozinha, encontrado nos supermercados, não é o 70% e não serve para este propósito.

Supervisão: Lucilia Okamura – editora Saúde
Ana Elisa Frings
Estagiária