O boato tem um poder incrível. Impressionante é ver, como comentários sem seus contextos, totalmente despropositados, são repassados com uma velocidade absurda.  É de chamar a atenção como o menor desvio inicial da verdade multiplica-se ao infinito à medida que avança. E essa idéia de magnitude, aonde uma pequena mentira contada pode avançar exorbitantemente, é de Aristóteles.  E de fato, quem nunca soube de alguma historia de que apenas um pequeno conto, falso e sem origem certa, tornou-se mais conhecido do que Neymar ou o Obama? É o poder do boato.

Boato é a maior manifestação da linguagem informal, aonde estão revelados os desejos e sentimentos mais espúrios do ser humano.  São noticias que corre publicamente de boca em boca, sem procedência conhecida e muitos menos com veracidade confirmada. Elas  correm na velocidade da luz. E o incrível, é que geralmente são noticias ou informações que denigrem a imagem de alguma coisa. Muito raro um boato com elogios, agradecimentos, manifestação de carinho e de afeto.  É o verdadeiro mexerico.

Fulano contou pra Beltrano, que disse pra Sicrano, mas que na verdade Fulano estava errado, e que Sicrano e Beltrano fazem de tudo para que Joaozinho diga que Fulano estava certo. E por aí vai e vai numa desordem sem noção.

Como diria Machado de Assis, o boato é um ente invisível e impalpável, que fala como um homem. Está em toda a parte e em nenhuma. Ninguém vê de onde surge, nem onde se esconde. Mas se avantaja em poder e prestigio a tudo o que é prestigioso e poderoso.  Mas na verdade, gosto da definição majestosa que Érico Veríssimo dá ao boato. Ele demonstra uma narrativa bem humorada e inteligentíssima sobre.  Ele diz:

“Ora, um boato é uma espécie de enjeitadinho que aparece à soleira duma porta, num canto de muro ou mesmo no meio duma rua ou duma calçada, ali abandonado não se sabe por quem; em suma, um recém-nascido de genitores ignorados. Um popular acha-o engraçadinho ou monstruoso, toma-o nos braços, nina-o, passa-o depois ao primeiro conhecido que encontra, o qual por sua vez entrega o inocente ao cuidado de outro ou de outros, e assim o bastardinho vai sendo amamentado de seio em seio ou, melhor, de imaginação em imaginação, e em poucos minutos cresce, fica adulto – tão substancial e dramático é o leite da fantasia popular – começa a caminhar pelas próprias pernas, a falar com a própria voz e, perdida a inocência, a pensar com a própria cabeça desvairada, e há um momento em que se transforma num gigante, maior que os mais altos edifícios da cidade, causando temores e às vezes até pânico entre a população, apavorando até mesmo aquele que inadvertidamente o gerou.”

O problema é que as pessoas se esquecem do teor duvidoso do boato. Mas na verdade, não esquecem coisa nenhuma! Elas gostam mesmo de passar pra lá e pra cá noticias que vão acarretar em algum tipo de bá fá fá.  E o “ Q’ da questão é que muitas pessoas já tiveram o infortúnio de serem vitimizadas por esses boatos.  Essas coisas devem ser evitadas. Analisadas. Todo um contexto de originalidade deve ser avaliado.

Aprendi que antes que repasse uma informação, eu devo saber se o que estou prestes a repassar, é verdade, vai atingir diretamente ou indiretamente alguma pessoa de modo negativo, e se eu vou-me sentir edificado por estar contanto. Após responder essas perguntas, verei se devo ou não repassar. Entendo que quando eu não repasso, eu estou encerrando ali o que poderia ser um novo ciclo de repasses. Embora outros sejam a porta de entrada para novos repasses, eu não deixo isso acontecer.

Que possamos seguir o conselho do filósofo Darkyn quando ele diz:

“E eu lá ligo pra boato… Tenho a consciência limpa, sem motivos algum pra me importar com coisas que eu sei que não fiz.”

Nunca diga, ou faça alguma coisa que você não possa dizer com orgulho que fez parte disso.

poder do boato

Um abraço e que Deus nos abençoe!

João Marques