Polícia Civil investiga denúncia de agressão contra ator no Shopping da Gávea
4 de julho de 2026

Defesa do artista Vitor Feitosa solicita que o caso, registrado inicialmente como lesão corporal na 14ª DP (Leblon), seja transferido para a Delegacia de Crimes Raciais.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga uma denúncia de agressão ocorrida no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio, contra um ator que estava acompanhado do filho de apenas 3 anos.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga uma denúncia de agressão ocorrida no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio, contra um ator que estava acompanhado do filho de apenas 3 anos.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro está investigando uma denúncia de agressão ocorrida no dia 23 de junho no Shopping da Gávea, localizado na Zona Sul da capital fluminense. A vítima é o ator Vitor Feitosa, que estava acompanhado de seu filho de 3 anos no momento do ocorrido. De acordo com o artista, as agressões físicas e verbais começaram após ele abordar um desconhecido para pedir informações sobre a localização do banheiro do estabelecimento.

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Dinâmica do ocorrido e motivação racial

Segundo o depoimento de Feitosa, o homem teria interpretado erroneamente que o ator estava pedindo dinheiro. O artista relata que a reação foi imediata e violenta.

“Assim que pedi a informação, a resposta dele foi imediata e violenta: disse que não me daria dinheiro, mandou que eu sumisse dali com meu filho e, em seguida, me agrediu com uma cabeçada no rosto”, declarou o ator.

Vitor Feitosa, que é negro, afirma que a abordagem agressiva teve motivação racial, sustentando que a reação do homem não teria sido a mesma caso a pergunta partisse de uma pessoa branca. O ator destacou ainda a postura de superioridade adotada pelo agressor logo após a violência. “Diante da minha indignação, ele passou a repetir, com total arrogância, que ‘não daria em nada’ porque eu não sabia quem ele era, e que eu ‘não era ninguém’”, relembrou.

O ator explicou que havia acabado de buscar o filho na creche, situada nas proximidades do shopping, e entrou no centro comercial em busca de um banheiro familiar. Ele optou por abordar o homem justamente por notar que ele também estava acompanhado de uma criança. Para Feitosa, o episódio configurou uma clara manifestação de racismo velado, resultando em grave abalo emocional.

Registro da ocorrência e posicionamento da Polícia Civil

O caso foi registrado inicialmente na 14ª DP (Leblon), unidade para onde a Polícia Militar encaminhou os envolvidos na data do fato. A ocorrência foi tipificada como lesão corporal, contrariando o pedido do ator, que solicitou aos agentes a inclusão do crime de injúria racial no momento do registro.

Questionada sobre o procedimento, a Polícia Civil informou em nota que as investigações seguem em andamento na delegacia do Leblon e esclareceu as diretrizes de transição de tipificações:

“A tipificação inicial de um registro não define a conclusão da investigação, podendo ser ajustada no curso do procedimento, à medida que novos elementos são apurados. A definição final sobre a natureza do fato decorre de uma investigação técnica e criteriosa, baseada em provas, diligências e análise de todas as evidências obtidas ao longo do inquérito.”

A defesa jurídica do ator compareceu à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para solicitar formalmente a transferência do caso para a especializada. Contudo, a Polícia Civil confirmou que, até o momento, o inquérito permanece sob a responsabilidade da 14ª DP.

Imagens de segurança e manifestação das partes

O Shopping da Gávea manifestou-se oficialmente por meio de nota, afirmando que “repudia qualquer tipo de violência”. O ator informou que tentou solicitar o acesso imediato às imagens do circuito interno de segurança, mas foi orientado pelo setor de segurança do shopping que os arquivos são disponibilizados exclusivamente mediante requisição das autoridades policiais. Feitosa mencionou que um funcionário do próprio estabelecimento confirmou que o desentendimento foi registrado de forma nítida pelas câmeras de monitoramento.

Na delegacia, o suposto agressor optou por permanecer em silêncio, exercendo o seu direito constitucional de manifestar-se apenas em juízo.

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