Pesquisa da UFRRJ desenvolve sensor portátil e de baixo custo para detecção de inseticida em águas naturais
24 de julho de 2026

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) resultou na criação de um dispositivo eletroquímico portátil e de baixo custo capaz de detectar a presença de fipronil. O fipronil é um inseticida amplamente empregado na agricultura que preocupa especialistas devido à sua persistência no meio ambiente, alta toxicidade e elevado risco de contaminação de corpos hídricos.

O projeto foi conduzido no Laboratório de Nanotecnologia, Cerâmicas e Compósitos (LNanoC²), por meio do grupo Nano&UFRRJ, sob a coordenação do professor João Victor Nicolini. A primeira autoria do estudo é da graduanda em Engenharia de Materiais Mariane Ribas Lourenço, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UFRRJ). A equipe contou ainda com a colaboração do pós-doutorando Daniel Ananias Reis de Campos, do Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ/UFRRJ), além dos pesquisadores Guilherme Sales da Rocha, Franccesca Fornasier e da professora Helen Ferraz, todos do Laboratório de Engenharia de Fenômenos de Interface da Coppe/UFRJ.

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Professor João Victor Nicolini e aluna Mariane Ribas Lourenço

Professor João Victor Nicolini e aluna Mariane Ribas Lourenço

Funcionamento e diferenciais da tecnologia

O dispositivo foi construído utilizando um eletrodo serigrafado comercial com a superfície modificada por nanotubos de carbono de paredes múltiplas (MWCNTs). Essa modificação amplia a área ativa do sensor e otimiza a condução de elétrons, garantindo maior sensibilidade e precisão na identificação do fipronil.

Durante o processo de análise, o sensor é submetido a uma variação de potencial elétrico. Diante da presença do inseticida na amostra, ocorre uma reação eletroquímica que produz uma corrente elétrica proporcional à quantidade do contaminante. O sinal é registrado por um potenciostato, viabilizando a identificação e quantificação ágil do pesticida.

Um dos principais avanços do estudo foi a validação do sensor com amostras reais coletadas no Rio Guandu. Os ensaios comprovaram que o dispositivo é capaz de quantificar o fipronil mesmo com a interferência de outros componentes naturais da água.

A nova tecnologia surge como uma alternativa às metodologias analíticas convencionais, como a cromatografia, que costumam exigir infraestrutura laboratorial complexa, equipamentos caros e maior tempo de resposta. A inovação viabiliza análises descentralizadas e em tempo real, permitindo monitorar a qualidade dos recursos hídricos diretamente em campo.

Vale ressaltar que o sensor não atua na remoção do inseticida, mas sim no seu diagnóstico, fornecendo dados cruciais para subsidiar órgãos de fiscalização, ações de gestão ambiental e tomadas de decisão.

Inovação científica e formação acadêmica

A pesquisa traz uma contribuição inédita para a literatura científica: até então, não havia registros de eletrodos serigrafados modificados com nanotubos de carbono de paredes múltiplas validados especificamente para identificar fipronil em matrizes aquáticas ambientais reais. O método de modificação desenvolvido mostrou-se simples, reprodutível e eficiente.

Além do impacto ambiental e científico — que promete fortalecer as estratégias de proteção da saúde pública e dos ecossistemas —, o projeto destaca a relevância da iniciação científica. A estudante Mariane Ribas Lourenço esteve à frente de todas as fases da pesquisa, desde o levantamento bibliográfico até o planejamento e execução dos ensaios experimentais.

Mariane destaca que a experiência foi fundamental para seu crescimento acadêmico:

“Ao longo do trabalho, acompanhei o cronograma experimental, realizei pesquisas bibliográficas e participei do planejamento e da execução dos ensaios. Também propus alguns testes com base em artigos científicos consultados e em conhecimentos adquiridos em congressos, sempre discutindo com o meu orientador. Foi uma experiência muito importante para a minha formação. Gostei especialmente de acompanhar as diferentes etapas e procurar soluções para os desafios que surgiram, o que aumentou meu interesse pela investigação científica.”

O professor João Victor Nicolini também ressaltou a importância decisiva da atuação da aluna para o êxito e a publicação do projeto.

Publicação Científica

O artigo completo com o detalhamento das metodologias e resultados obtidos foi publicado no periódico Journal of Solid State Electrochemistry:

  • Referência: Ribas Lourenço, M., Sales da Rocha, G., Ananias Reis de Campos, D. et al. Multi-walled carbon nanotube-modified screen-printed sensor for ultrasensitive fipronil determination in river water. J Solid State Electrochem (2026).

  • DOI: https://doi.org/10.1007/s10008-026-06644-7

(Créditos: Laís Veiga / CCS/PROPPGI; Imagens do arquivo pessoal do professor João Victor Nicolini)

Informações via Portal da UFRRJ

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