Ex-presidente da Rioprevidência negocia delação premiada sobre rombo de R$ 1 bilhão
24 de março de 2026
Sede da Rioprevidência, no Rio de Janeiro. O fundo previdenciário estadual está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura um rombo de R$ 1 bilhão e a possível delação premiada de seu ex-presidente, Deivis Antunes.(Foto: Reprodução)

Sede da Rioprevidência, no Rio de Janeiro. O fundo previdenciário estadual está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura um rombo de R$ 1 bilhão e a possível delação premiada de seu ex-presidente, Deivis Antunes.(Foto: Reprodução)

RIO DE JANEIRO – Deivis Marcon Antunes, ex-presidente da Rioprevidência, iniciou tratativas com a Justiça Federal para firmar um acordo de colaboração premiada. Antunes, que está preso preventivamente desde fevereiro após a Operação Barco de Papel, é a figura central nas investigações sobre o aporte de aproximadamente R$ 1 bilhão do fundo previdenciário estadual no Banco Master.

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A colaboração é considerada pelos investigadores um possível ponto de inflexão no caso. O objetivo é detalhar a cadeia de comando dentro do governo de Cláudio Castro (PL) e identificar responsabilidades administrativas e políticas em uma operação financeira classificada como de altíssimo risco.

Alertas de Irregularidades e Riscos Financeiros

As investigações apontam que a gestão de Antunes ignorou sucessivos avisos antes de consolidar os investimentos bilionários. Órgãos e especialistas apresentaram ressalvas formais sobre a operação:

  • TCE-RJ e Alerj: O Tribunal de Contas e deputados estaduais alertaram sobre a fragilidade da operação e o alto grau de concentração de recursos em uma única instituição.

  • Gestão de Risco: Especialistas do mercado financeiro criticaram a falta de garantias compatíveis e a ausência de diversificação, princípio básico para a segurança de fundos previdenciários.

  • Falhas Técnicas: Auditorias posteriores do TCE identificaram a ausência de estudos técnicos consistentes e alterações em normas internas que teriam sido desenhadas especificamente para facilitar os aportes no Banco Master.

Prisão e Suspeita de Obstrução de Justiça

Deivis Marcon Antunes — Foto: Rioprevidência/Divulgação

Deivis Marcon Antunes — Foto: Rioprevidência/Divulgação

A Polícia Federal (PF) sustenta que houve um direcionamento deliberado de recursos. Além da má gestão financeira, pesam contra o ex-presidente graves suspeitas de destruição de provas, incluindo:

  1. Movimentações atípicas de bens para ocultação de patrimônio.

  2. Retirada de objetos de endereços de interesse antes de operações policiais.

  3. Alterações em sistemas de monitoramento para eliminação de registros.

Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus à defesa. O ministro Carlos Pires Brandão fundamentou a manutenção da prisão preventiva citando o risco real de interferência nas investigações e a robustez dos indícios de criminalidade.

Desdobramentos e Foro Privilegiado

Devido à possível participação de autoridades com foro por prerrogativa de função, o processo já alcançou o Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é que o depoimento de Antunes esclareça se houve pressão política direta para a viabilização dos investimentos, podendo atingir o alto escalão da administração estadual fluminense.

Informações via Diário do Rio

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