Chegamos ao período de calor intenso no estado do Rio de Janeiro e em toda a Região Sudeste. Como consequência das altas temperaturas, aumenta o consumo de água pela população e por hidrelétricas – para a produção de energia. Mas o foco desse artigo é a sociedade, que eu e você fazemos parte, e que precisa lembrar da importância do uso consciente da água.

 Entre 2013 e 2015, o Sudeste passou por uma crise hídrica forte, que ainda não acabou. Dados disponibilizados pelo Sistema de Informações Geográficas e Geoambientais das Bacias Hidrográficas dos Rios Guandu, da Guarda e Guandu-Mirim (SIGA-Guandu), em 23 de novembro, mostram que o reservatório equivalente das represas localizadas no Rio Paraíba do Sul – que transpõe água para o Guandu – está em 48,9%, número mais elevado do que o registrado em 2015 – 8,1% -, mas longe de ser tranquilo. 

 Com isso, o que fazer? Conscientizar-se. Algumas atitudes cotidianas são importantes, como evitar banhos demorados, mantendo a torneira fechada enquanto se ensaboa; deixar as mangueiras d’água enroladas, optando por molhar plantas com regador, e reaproveitar a água da máquina de lavar roupa para a limpeza do chão de casa ou da calçada. E, quando for escovar os dentes, não deixar a água escorrer livremente pela pia.

 Pode parecer banal, mas o ato de se ensaboar com a torneira desligada reduz o consumo de água de 150 litros para 45 litros. Além disso, é necessário ficar alerta a vazamentos ou torneiras mal fechadas. Uma torneira pingando por 24 horas desperdiça 45 litros de água. E isso pesa bastante na conta d´água.

 Mas não é somente a sociedade que precisa ficar atenta. As instâncias governamentais necessitam ter olhos para iniciativas que pretendem estruturar a segurança hídrica através da produção de água. E nisso a população pode e deve ser parceira.

 Um exemplo é o que está sendo feito em Rio Claro, no Sul Fluminense. Lá, acontece o Programa Produtores de Água e Floresta (PAF), que consiste em ações de restauração e conservação florestal de produtores rurais, que são compensados financeiramente. Os trabalhos são realizados na bacia do rio Piraí e custeados pelo Comitê Guandu com recursos oriundos da cobrança pelo uso da água na bacia do rio Guandu.

 A empreitada, iniciada em 2008, restaurou 560 hectares e conservou 4.562 hectares de cobertura florestal. Algumas nascentes, que estavam secas, voltaram a minar água. Mas é preciso ampliar iniciativas como essa. Na Bacia Hidrográfica do Guandu há o Programa Pagamento por Serviços Ambientais – PRO-PSA Guandu, que amplia o pagamento por serviços ambientais em cidades inseridas na Bacia do Guandu.

 A parceria de todos é imprescindível: população, governo e sociedade civil. Todos temos que trabalhar em conjunto. Com o futuro que se vislumbra, precisamos ser conscientes para o uso adequado da água e enfrentar períodos escassos de chuvas, sem desperdícios.

 Autor: Julio Cesar Oliveira Antunes – Diretor Geral do Comitê Guandu-RJ

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