
‘Chinês carioca’ faz sucesso nas redes sociais usando gírias e imitando o jeitão típico de pessoas nascidas no Rio
‘Michel China’, de 41 anos, vive no Rio de Janeiro desde os 14 e é comerciante em box de vendas no município de Nova Iguaçu
As frases terminando com “mané“, “irmão“, “pô” e iniciadas com “coé” revelam um típico nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro. A confirmação se dá com os “é mermo” – além de alguns palavrões. Michel China, como é conhecido no Instagram, mora em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, mas tem todos os motivos para chamado de “chinês carioca”.
O apelido dado a Michel, que fez 41 anos recentemente, não foi por acaso. Dono de um box de vendas de celulares, perfumes, relógios e outros utensílios na cidade da Baixada Fluminense, ele usa gírias cariocas e tem todo o jeitão clássico de um nascido e criado no Rio de Janeiro.
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Chegou ao Brasil em 1998, quando tinha 14 anos de idade. Trabalhou em uma lanchonete. “Chinês chega aqui e vai trabalhar em pastelaria porque é o emprego que tem. Meu pai, que tinha um mercadinho lá, veio em 1996, numa época que o Real valia cinco vezes mais que a moeda da China, e foi assim. Aí, eu vim depois e trabalhei com ele. A pessoa chega e trabalha um tempo para quem ajudou com a viagem, moradia. Não é máfia não, é que alguém ajuda e depois você paga trabalhando um tempo para quem te ajudou”, lembra Michel, que aprendeu português em dois meses de estudos na escola e aulas particulares.
O chinês carioca ficou 20 anos trabalhando em lanchonetes, pastelarias, e chegou a abrir suas próprias lojas nesse ramo. “Rala muito, trabalha igual mula“, disse. Assim, há menos de uma década, começou a importar celulares direto da China e vender a preço de atacado para os clientes finais. Vende para o Brasil inteiro. Usa um bordão: “Não tem ‘galantia’, ‘complô’ porque quis”. No entanto, garante que é tudo brincadeira e que os aparelhos contam com até 30 dias para devoluções e consertos se for o caso.
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“A maior dificuldade é com o imposto. A gente paga muito imposto no Brasil. A gente que quer fazer tudo certinho sofre com isso. Mas vendo bem. Os vídeos na Internet ajudam muito a chamar clientes”, destaca ele que começou a postar os vídeos mais engraçados na conta pessoal por influência de amigos.
Atualmente é muito famoso nas redes sociais. São 190 mil seguidores no Instagram. “Toda hora alguém pede para tirar foto. É muito legal. Se todo mundo que segue lá comprasse celular, eu estava rico“, brinca.
Recentemente, Michel deu entrevista ao podcast Alemão Ilimitado, também de Nova Iguaçu
A fama rende mais do que pedidos de fotos. Michel recebe constantes convites para divulgar sites de apostas em suas redes sociais. “Toda hora é tigrinho querendo que eu coloque no meu insta, porque sou chinês e o tigrinho é de lá. Mas não gosto dessas coisas não. Não gosto de enganar os outros“, frisa e na sequência lembra gargalhando que já tomou muita volta de cariocas: “Nunca mais vendo em consignado. Os caras pegam, não pagam e somem com a mercadoria“.
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Michel é de Zhengzhou, capital da província de Henan. O local fica no centro do país e é conhecido como “Cidade do iPhone”, pois é lá onde ficam as grandes fábricas de celulares. Como já tem mais tempo de Brasil do que de China, Michel é cidadão brasileiro de papel, nome e estado de espírito.
Foi ao Maracanã, mas diz não ter time e preferir ping-pong a futebol. Gosta de ir à churrascaria com a família nas horas vagas e curte pouco pegar uma praia, porém “queria ter dinheiro para morar lá“, sorri. Famoso por estar sempre de bom humor, ele conheceu a esposa – também chinesa – aqui no Brasil. Ela trabalha com ele na loja e juntos têm um filho de 12 anos. “Em casa a gente até fala em Mandarim“, revela.
Em todo esse tempo de Brasil, Michel nunca mais voltou na China. Contudo, ele conta que seus primos e amigos mais novos que estão lá não querem morar por aqui. “A economia lá está muito boa. Uma irmã minha voltou de vez“, conta.
Ir à China para passear, Michel diz ter vontade. Voltar a morar lá, não. Fora do Brasil, ele conhece Argentina e Paraguai. “No Rio de Janeiro é tudo bom. Só é ruim a violência. Rio é bom ‘mermo’. Não saio daqui mais não“, afirma.
Com certa marra de carioca, Michel diz que em São Paulo tem muito chinês famoso nas redes sociais, mas no Rio só tem ele mesmo. E está certo. “Mermo“.
Fonte: Diário do Rio


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