Seropedicenses conheceram três países em 22 dias; eles percorreram 7.700 km.
‘Se quiser fazer uma viagem parecida, não pense, vá’, afirma o leitor.

Wilson e Natiele durante a viagem de moto pela América do Sul (Foto: Wilson da Silva Alves/VC no G1)

Depois de viajar para algumas cidades brasileiras de moto, o casal Wilson da Silva Alves, de 25 anos, e Natiele de Oliveira Pinto Alves, de 27 anos, decidiu ir mais longe e conhecer três países da América do Sul sobre duas rodas.

A viagem, que passou por Argentina, Uruguai e Paraguai, durou 22 dias. A moto foi batizada de La Poderosa III, referência à motocicleta do líder guerrilheiro Che Guevara, que na juventude também cruzou alguns países da América Latina, apelidada de La Poderosa II.

A inspiração para a aventura veio dos viajantes europeus, que costumam conhecer muitos países de seu próprio continente. “Se os europeus podem viajar pelo continente em que vivem, por que nós, brasileiros, não podemos?”, questiona Wilson.

Wilson da Silva Alves e Natiele de Oliveira Pinto Alves viajaram 22 dias de moto pela América do Sul. (Foto: Wilson da Silva Alves/VC no G1)
A moto foi batizada de ‘La Poderasa III’
(Foto: Wilson da Silva Alves/VC no G1)

O casal já havia viajado de moto outras vezes, mas só dentro do Brasil. A primeira vez foi do Rio de Janeiro a São Paulo, para entregar os convites de seu casamento a amigos. “Ficamos ‘quebrados’, cansados mesmo. Não tínhamos o costume de viajar de moto”, conta Wilson.

Mas isso não impediu que viajassem novamente. “Depois fomos para Búzios (RJ), Belo Horizonte, Penedo (RJ)… E decidimos ir mais longe”, relata.

Ele e a mulher só avisaram os parentes dos planos um dia antes de sair do Rio. “Recebemos mensagens de familiares preocupados, dizendo que poderíamos ser sequestrados, que havia muito tráfico de mulheres entre outras coisas”, afirma Wilson. A experiência, no entanto, foi tranquila.

Roteiro
Para chegar ao primeiro destino internacional, Wilson e Natiele, que moram no Rio de Janeiro, passaram por São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

De lá foram até Chuí, no Uruguai, onde  se apresentaram à alfândega e seguiram para acampar em Punta del Diablo, localizado a 298 km da capital, Montevidéu.

O casal se surpreendeu com a hospitalidade dos uruguaios. "Enquanto eu tentava levantar acampamento, um uruguaio se ofereceu para montá-la", conta Wilson (Foto: Wilson da Silva Alves/VC no G1)
O casal se surpreendeu com a hospitalidade dos
uruguaios. “Enquanto eu tentava levantar
acampamento, um uruguaio se ofereceu para
montá-la”, conta Wilson 

O casal ficou surpreso com a educação e a hospitalidade dos uruguaios. “Fizemos amizade rápido e quando fomos comprar uma barraca, uma menina disse que não precisávamos, pois ela emprestaria a dela. Eu não sabia nem montar a ‘carpa’ [barraca, em espanhol] e enquanto eu tentava levantar acampamento, um uruguaio se ofereceu para montá-la. Ficamos até meio assustados, nunca tínhamos visto tanta educação”, conta Wilson.

Eles cruzaram o Uruguai, passando por Punta del Este, La Barra, Pan de Azucar e Mondevidéu. Na capital, tentaram atravessar o Rio de La Plata para chegar a Buenos Aires, na Argentina, mas como não havia horário disponível para o barco, foram até Colonia del Sacramento, na divisa entre os dois países, e lá compraram as passagens para a capital argentina.

Em Buenos Aires, foram ao Zoológico de Lujan, conhecido por permitir o contato entre os visitantes e animais como leões e tigres, e ao ECObici, espaço com bicicletas gratuitas e à disposição da população e dos turistas.

Na Argentina, Wilson aproveitou para conhecer o Zoológico de Lujan e tirar fotos com os felinos. (Foto: Wilson da Silva Alves/VC no G1)
Na Argentina, Wilson aproveitou para conhecer o
Zoológico de Lujan e tirar fotos com os felinos
 

No Paraguai, última parada no exterior, fizeram compras em Ciudad del Este, local famoso por vender objetos baratos.
De volta ao Brasil, passaram por Foz do Iguaçu (PR), São Paulo e, por fim, chegaram ao Rio.Ao contrário do que muitos podem pensar, a viagem não exigiu dos aventureiros um investimento alto. “Os brasileiros acham que para viajar para outros países, precisa-se de muito dinheiro, ou de um carro ou moto muito potentes. Mas não, você pode ir com seu carrinho velho mesmo. Se quiser fazer uma viagem parecida, não pense, vá.”

Faça o seu comentário