Um problema de saúde pública.

 

Localizado no município de Seropédica, baixada fluminense, o campus sede da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) concentra 7.000 alunos e um número incalculável de animais abandonados, dentre cães e gatos, filhotes e já mais velhos, deixados próximos aos alojamentos justamente com o intuito de serem cuidados.

 

Helga Hagen, estudante do 4º período de Letras e moradora do alojamento feminino, garante: “É visível que as pessoas abandonam aqui achando que a gente vai cuidar. Inclusive, já pararam de abandonar pelo campus pra deixar apenas nos alojamentos, porque a gente não vai ignorar, principalmente quando é filhote. Não tem como ignorar”.  Para a aluna, que atenta para o número de animais doentes, riscos de proliferação e também pela sujeira em que são colocados, falta uma maior divulgação e apoio da universidade para grupos de proteção, devido ao grande número de animais. Helga ainda conta que para conseguir alimentar os filhotes, em maior número no alojamento feminino, ela e algumas outras poucas meninas se unem para conseguir ração, mas reconhece: “Não é o melhor nem pra gente nem pra eles”.

Abandono 1

 

Para Rosana Colatino, vice-diretora do instituto de Zootecnia e coordenadora do projeto S.O.S. Animal, falta apoio da universidade e conscientização da população. Ela conta que o programa S.O.S., vinculado à reitoria de extensão, recebe 6 bolsas para auxiliar a dinâmica do grupo, mas nenhum outro repasse é feito para que o grupo consiga custear o processo, que vai desde o resgate até a adoção, passando por tratamentos médicos, processos cirúrgicos e castração – “Até o custeio de processo cirúrgico é feito por mim, através de rifas, campanhas, feiras de doação. Recebo também doações, mas são poucas. A cirurgia é feita pelo hospital veterinário, que tem uma gratuidade de 16 castrações por mês, uma cota. Se eu chegar lá com 200 eles não vão realizar, pela própria limitação do setor, que é compreensível”.

cachorro-abandonado-sem-dono

A coordenadora, assim como Helga, também reclama do habito que se tornou, por parte dos moradores, em abandonar os animais nos alojamentos, muitas vezes doentes. Conta ainda sobre as dificuldades que o projeto encontra em atender ao número de casos e chamadas sem ter um efetivo auxílio: “Uso meu carro, meu combustível, não tenho veiculo da rural. Não tenho apoio”. Para ela, falta reconhecimento da problemática da situação por parte da universidade e também da prefeitura, que não se unem para resolver o que se enquadra como um caso de saúde pública. “Tem que haver um trabalho educacional, um projeto da prefeitura com a universidade. Elas não se falam. A rural ocupa um grande espaço do município de Seropédica, e elas não interagem”.

russos_caes_abandonados_protesto

 

 

Aos que quiserem ajudar, doação é a melhor forma, desde ração até roupas – “Nós temos campanhas, um brechó como uma forma de angariar fundos. Doação de roupas usadas, qualquer coisa. Pode ser toalha velha, potinho de sorvete (pra alimentação), coleira, doações em geral (…) Eu acabei de ganhar um fogão de umas alunas que estão se formando e anunciaram a venda no Anuncios UFRRJ. Eu ia comprar, porque fazemos comida, angu, pra complementar a alimentação, e elas decidiram doar. Fiquei  super feliz, porque ia acabar comprando”.

 

Por fim, Colatino, que contém um detalhado controle quanto aos animais atendidos, em tratamento e já doados, ressalta o número de gatos doentes resgatados dos alojamentos, que poderiam gerar infecções graves aos alunos, e atenta para a necessidade em institucionalizar o S.O.S. Animal: “Não pra ficar como uma iniciativa isolada de uma professora com 6 alunos, mas para fazer com que isso vire um projeto de saúde para a comunidade (…) Já falei com a reitoria, e existe uma promessa de que isso aconteça, só que é urgente”.

 

Mateus C.

Jefferson Braga.

Para fazer doações ao S.O.S Animal:

http://www.ufrrj.br/sosanimal/crbst_7.html

[email protected]