O Comitê Guandu finalizou a elaboração de projetos que visam a solução do esgotamento em áreas rurais e periurbanas – que mesclam áreas rurais e urbanas de onze dos quinze municípios da bacia. Outros quatro municípios da bacia do Guandu, região hidrográfica II, também serão contemplados. A previsão é que os projetos sejam finalizados até fevereiro de 2021.

A iniciativa do Comitê Guandu-RJ levantou as melhores opções ambientais e econômicas para o esgotamento das áreas rurais onde, somadas, vivem cerca de quarenta e seis mil pessoas, que podem gerar mais de sete mil metros cúbicos de esgoto por dia. O objetivo é proteger os rios e mananciais da carga de esgoto, melhorando a qualidade da água que abastece cerca de nove milhões de pessoas.

O diagnóstico dessas áreas foi realizado em conformidade com as diretrizes do Programa Nacional de Saneamento Rural. A execução foi do consórcio Profill/TSA, contratado pelo colegiado, com o acompanhamento de membros do Comitê, especialistas da agência delegatária, e técnicos e representantes dos municípios.

O estudo apontou que nesses municípios, atualmente, o esgoto é despejado em parte em rios e valões. Foram encontrados ainda áreas atendidas pela rede de esgoto ou pluvial, fossa séptica, fossa rudimentar e alguns sem solução alguma de coleta. Com base nessas informações, o projeto apresentou soluções de esgotamento sanitário padronizadas para que pudessem atender a todos os municípios, divididas em soluções coletivas – em áreas mais povoadas, e individuais – áreas menos povoadas.

A solução coletiva apontada foi o tanque séptico com filtro anaeróbio ascendente, sendo necessário nesse caso a instalação de rede coletora de esgoto. Tratam-se de reatores biológicos onde microrganismos participam ativamente da decomposição da matéria orgânica com formação de biogás. Dentre as vantagens, apresentam construção e operação simples, de baixo custo e não requerem a presença do operador; resistem às variações de carga, absorvem sobrecarga com rápida recuperação e não perdem eficiência em longo prazo com o envelhecimento do lodo. Como forma de diminuir custos, todo o projeto foi pensado para que o fluxo corra por gravidade, não sendo necessário nenhum equipamento elétrico como bombas e adutoras.

Já para as soluções individuais, dentre as opções de tratamento apresentadas estão os sistemas de fossa séptica + filtro anaeróbio e de fossa biodigestor, com alternativas de destinação do efluente através de poço sumidouro, vala de infiltração e círculo de bananeiras, sendo esta última uma solução baseada na natureza.

Os projetos, além de adequados para cada aglomerado rural dentro dos municípios, levaram em consideração os aspectos ambiental, institucional, hidrológico, geotécnico, operacionais e econômicos, além da concepção das instalações domiciliares, apresentando toda estrutura técnica, a legislação, o preço final e outras informações fundamentais para sua implementação. Serão entregues aos municípios que buscarão meios para implementá-lo, atendendo diretamente essa parcela da população e indiretamente 9 milhões de pessoas, que são abastecidas pela bacia do Guandu na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.