Anna Luísa Beserra criou dispositivo que usa luz solar para purificar água no semi-árido nordestino

Anna Luísa Beserra, uma baiana de 21 anos tornou-se, em setembro, a primeira brasileira a conquistar o prêmio Jovens Campeões da Terra. Oferecida pela ONU para jovens entre 18 e 30 anos, a premiação é destinada a iniciativas de impacto ambiental.

No caso de Anna Luísa, o reconhecimento veio por causa do Aqualuz, um dispositivo que utiliza a radiação solar para purificar água. Criada quando a jovem possuía apenas 15 anos, a tecnologia passou por aperfeiçoamentos até chegar a sua versão atual. Sem uso de qualquer produto químico ou filtro descartável, o Aqualuz foi acoplado em cisternas que coletam água da chuva no semi-árido nordestino durante sua fase de teste. O recurso conseguiu tratar 10 litros em 4 horas.

“A gente passa protetor quando vai à praia justamente para nos protegermos contra a radiação ultravioleta. Em humanos, ela causa câncer de pele. Mas, para vírus e bactérias, ela é letal. A gente aproveita a mesma radiação ultravioleta para fazer o tratamento na água, que passa a ser potável”, explicou à BBC Brasil.

 (ONU Brasil/Reprodução)

Formada em Biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia, Anna Luísa também cursou Liderança de Novos Empreendimentos no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e fez um curso sobre startups focadas em água e saneamento na Suíça.

Porém, antes mesmo de possuir essa bagagem de conhecimento, ela já havia fundado a Safe Drinking Water for All (SDW), iniciativa dedicada a desenvolver tecnologias para tratamento, gestão e monitoramento de recursos hídricos. Essa experiência serviu de base para Anna criar mais um projeto: a startup AIA, que desenvolve biodigestores responsáveis por transformar resíduos alimentares em gás e adubo em centros urbanos.

Seu Aqualuz já atendeu mais de 265 pessoas e pretende alcançar mais 700 até o final do ano. Sem alto custo de manutenção – sua limpeza pode ser feita apenas com água e sabão –, o dispositivo possui durabilidade estimada de 20 anos e pode ser exportado para outros países.

“A gente não esperava (o prêmio), foi uma grande surpresa. Agora, sabemos que não só vamos ter o retorno financeiro para investir no projeto, como também estamos abrindo portas para expandir a tecnologia para África, Ásia e outros países da América Latina”, declarou ao veículo. “A meta é democratizar o acesso a água potável.”

Fonte: Claudia

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