Rio de Janeiro, anos 60. A cidade se prepara para receber a visita da Rainha Elizabeth.
Num clima de tensão social e política que antecede o golpe militar, uma jornalista investiga a morte de moradores de rua e se envolve num perigoso jogo de interesses. Baseado em fatos reais desvenda um lado pouco conhecido da História: a “Operação mata-mendigos”, que ocorreu no Rio de Janeiro entre 62 e 63 e um dos motivos era a necessidade de “limpar” a cidade para a visita da Rainha.

Os mendigos eram torturados e jogados no Rio Guandu. Foram indiciados policiais e funcionários do Governo da Guanabara. Com o Golpe de 64, os inquéritos foram arquivados e o episódio apagado da história do Brasil. O chileno Jorge Diaz criou a obra teatral baseado em notícias sobre o fato que foram publicadas na imprensa internacional. Em 1972, Teresa Aguiar trouxe o texto para o Brasil, onde ficou proibido pela censura até
1985 e desde então, trabalha para a produção do longa metragem. O ano de lançamento do filme foi 2009 e a estreia no Brasil foi realizada em 20/11/2009. 

O Golpe Militar de 1964, no Brasil, designa o conjunto dos eventos de 31 de março de 1964, ocorridos n Brasil, e que culminaram em um golpe de estado (atualmente, alguns historiadores afirmam ter sido um golpe civil-militar) que interrompeu o governo do presidente João Belchior Marques Goulart, também conhecido como Jango, que havia sido democraticamente eleito vice-presidente, pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) – nas mesmas eleições que conduziram Jânio da Silva Quadros à presidência pela UDN (União Democrática Nacional) – Jânio renunciou o mandato no mesmo ano de sua posse (1961),
João Goulart, que deveria assumir a presidência, segundo a Constituição vigente à época, promulgada em 1946, estava em viagem diplomática na República Popular da China.

Militantes de direita acusaram Jango, como era conhecido, de ser comunista e o impediram de assumir à presidência no regime presidencialista. É feito um acordo político e o Parlamento brasileiro cria o regime parlamentarista, sendo João Goulart chefe de Estado. Em 1963 em plebiscito o povo brasileiro votou pela volta do regime presidencialista, e João Goulart finalmente assume a presidência da república com amplos poderes. O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a uma ditadura militar que durou até 1985, quando, indiretamente, foi eleito o primeiro presidente civil desde o golpe de 1964, Tancredo Neves.

Segundo o filme, o objetivo do governo era promover uma assepsia com vistas a arrumar a
casa para a visita da Rainha da Inglaterra à cidade do Rio de Janeiro. Queriam limpar a
Cidade Maravilhosa. E quando se fala em limpar a cidade, podemos nos perguntar: limpar a
cidade de quê? Limpar a cidade de quem – a cidade que pertence a quem? E quem deve ser exterminado?

Neste clima de alta tensão, o filme nos mostra o interesse no local do lixão, por parte de
uma construtora que, contando com a ajuda do Departamento de Repressão à Mendicância –DERMEN, do Governo Estadual, queria de todas as formas expulsar os moradores daquele
local.

Com este objetivo, começaram a assassinar os chamados mendigos, torturando-os e
jogando-os, às vezes vivos, outras vezes mortos, no Rio Guandu. Os jornais começaram a
noticiar esses crimes e intitulavam as matérias mostrando que essas práticas faziam parte de uma “Operação Mata-Mendigos” do governo da época. Houve repercussão nacional e
internacional sobre o assunto, mas os crimes não pararam. O filme mostra as manchetes dos jornais onde eram noticiados os tais crimes.

Participando desse momento histórico no Brasil, cabe perguntar que relações há entre o
que aconteceu no Rio de Janeiro nos anos 1960, no Governo Carlos Lacerda, quando houve a Operação Mata-Mendigos, e a limpeza – nome que o discurso crítico emprega – que estão
querendo fazer agora na cidade em preparação aos mega eventos. Será que há semelhanças?

Por que será que essas vidas, as dos moradores de rua, somente são enxergadas nestes
momentos? Suas vidas estão sendo olhadas, ou apenas seus corpos removidos? Morador de rua é caso para ser resolvido pela polícia ou por implantação de políticas públicas de direito e proteção? E o esporte, mais especificamente o futebol, é um evento de inclusão ou de exclusão da população pobre?

Vejam mais: http://memoria.bn.br/pdf/149322/per149322_1963_00320.pdf

Por: Sonia Ambrozino da Silva 

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