As belezas naturais são determinantes para que o Rio de Janeiro seja considerado uma cidade maravilhosa. Entretanto, às vezes, a natureza precisa de uma forcinha do homem para que seus encantos apareçam ainda mais. Um exemplo é o Jardim Botânico.

Esterografia do Imperial Jardim Botânico do Rio de Janeiro (William Bell, 1882)

Fundado em 13 de junho de 1808, o Jardim Botânico surgiu de uma decisão do então príncipe regente português, Dom João VI, de instalar no local uma fábrica de pólvora e um jardim para aclimatação de espécies vegetais originárias de outras partes do mundo.

No mesmo ano da fundação, os trabalhos começaram no Jardim Botânico. Inicialmente foi preciso aclimatar especiarias vindas do Oriente. Nas primeiras experiências, vegetais enviados de outras províncias portuguesas também foram avaliados. Todo esse processo seguia orientações elaboradas anteriormente em Portugal.

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“As primeiras espécies, vindas do estrangeiro [sem ser de colônias ou províncias portuguesas], foram trazidas por Luiz de Abreu Vieira e Silva, tripulante de uma fragata que naufragara nas costas de Goa. Ao tentar embarcar novamente, com destino ao Brasil, foi feito prisioneiro com seus companheiros pelos franceses e mandado para a Ilha de França, que fazia parte das Ilhas Maurício, onde existia o ‘Jardin Gabrielle’, famoso por suas plantas de extraordinário valor. Ao fugir da ilha, Luiz de Abreu trouxe consigo algumas plantas desse jardim, presenteando-as a Dom João, que mandou plantá-las no Horto Real [como o Jardim Botânico era chamado na época]. Graças a ele, foram introduzidas mudas de moscadeiras, abacateiros, canelas, além de sementes de sagu, coração-de-negro, fruta-pão e cajá” destaca Geraldo Millione do site de pesquisas O Guia Legal.

Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 1890

Além disso, o Jardim Botânico também foi utilizado para outras investigações, como a palha da bombonaça (Carludovica Palmata), para confecção dos chamados chapéus do Chile ou do Panamá. Essa e outras experiências tinham, especialmente, cunho econômico. O plantio de chá foi um desses casos – como contamos no texto sobre a Vista Chinesa.

Com o passar dos anos, o Jardim Botânico deixou de ser só um centro de pesquisa e passou a ser também um espaço de lazer para a população. Contudo, existiam muitas regras e somente pessoas da alta sociedade podiam se divertir no Jardim. Em muitos casos, a área era utilizada para a recepção de estrangeiros influentes.

Planta do Imperial Jardim Botânico por Karl Glasl (1863)

Após a proclamação da independência do Brasil, em1822, o Real Horto – ou Horto Real -, como era chamado o Jardim Botânico nos tempos de Dom João, passou a ser conhecido como Real Jardim Botânico e as visitações ficaram um pouco mais democráticas, alcançando mais membros da sociedade brasileira da época. No mesmo ano de 1822, o nome mudou para Imperial Jardim Botânico.

Busto do Frei Leandro do Santíssimo Sacramento

“Nesse período, Frei Leandro do Santíssimo Sacramento, professor de botânica reconhecido por realizar estudos da flora brasileira, foi diretor do Jardim Botânico. Ele impôs muitas melhorias na área, como a organização de um catálogo das plantas que eram cultivadas no espaço, além de ter introduzido novas mudas no Jardim: aléias de mangueiras, jaqueiras, nogueiras e outras”, diz o historiador Maurício Santos.

Extremamente importante para a história das pesquisas na área de botânica, o Jardim, a partir de 1890, um ano depois da proclamação da república, passou a ser chamado de Jardim Botânico.

Einstein em visita ao Jardim Botânico com o diretor Pacheco Leão e um rabino

Tamanha é a importância do Jardim Botânico que Albert Einstein e a rainha Elizabeth II do Reino Unido foram conhecer o espaço. Além disso, em 1991, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura considerou o Jardim como Reserva da Biosfera.

Atualmente, o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro – nome oficial dado no ano 1995 – é um órgão federal ligado ao Ministério do Meio Ambiente e é considerado um dos mais importantes centros de pesquisa mundiais nas áreas de botânica e conservação da biodiversidade. Nesse caso, Dom João VI acertou em cheio.

Fonte: Diário do Rio

 

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