Empresários da Baixada Fluminense estão entre os mais otimistas do estado. Pesquisa da Federação das Indústrias aponta que a expectativa é de aumento na demanda por produtos e das vendas no mercado interno e externo

 Baixada Fluminense, 15 de março de 2018

A FIRJAN iniciou neste mês a série “Retratos Regionais – Cenário Econômico”, e a região da Baixada Fluminense foi uma das pautas. A pesquisa mostra que os empresários esperam por uma melhora na atividade econômica para 2018 e estão entre os mais otimistas do estado. O novo serviço, online e gratuito, detalha a conjuntura socioeconômica do estado do Rio e dá um panorama sobre crescimento, nível de atividade industrial, mercado de trabalho, ambiente de negócios e expectativas para os próximos meses.

Nas palestras, com transmissão ao vivo, especialistas em Economia da Federação das Indústrias analisaram dados exclusivos sobre cada uma das dez regiões fluminenses, além dos cenários econômicos nacional e internacional. “Apresentamos informações econômicas essenciais para os empresários, com o diferencial de olhar para as particularidades de cada região do estado, orientando a tomada de decisões”, explicou William Figueiredo, coordenador de Estudos Econômicos da FIRJAN.

Com uma área de 3.933 km², 4 milhões de habitantes e R$ 101 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, a região que abrange as cidades de Itaguaí, Japeri, Mangaratiba, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e Seropédica (Baixada I) e Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Magé, São João de Meriti e Teresópolis (Baixada II), apesar de ser considerada com atividade econômica relevante, com 37 mil estabelecimentos e mais de 500 mil empregados em 2016, mais de 40% da população se desloca para outros municípios para trabalhar.

A indústria, por sua vez, emprega mais de 70 mil trabalhadores na região, principalmente na indústria de transformação e construção. Na transformação, os setores que se destacam são: alimentos e cosméticos.

Quanto à atividade econômica, a Sondagem Industrial da FIRJAN aponta que, em dezembro, a indústria da Baixada Fluminense seguiu reduzindo a produção e atendendo à demanda com estoques, em ritmo semelhante ao estado. Apesar disso, os indicadores apontam que a utilização da capacidade instalada das empresas dos municípios abrangentes avançou, com 65% a Baixada I, acima da média do estado que atingiu 60%, igual ao da Baixada II, também com 60%.

A crise econômica no estado reflete diretamente na atividade industrial da região. O impacto é percebido diretamente na falta de caixa, diante das baixas margens de lucro e da dificuldade de acesso a crédito. “Os industriais seguem insatisfeitos com a situação financeira de suas empresas, ainda mais porque a atividade econômica da região mostrou baixa evolução. Em 2017, na Baixada I, as importações avançaram apenas 0,5%, e na Baixada II, caíram 27%, atingindo o segundo menor nível da década”, frisou William Figueiredo.

Com relação ao mercado de trabalho, em 2017, a Baixada I foi a única região com saldo positivo no quarto trimestre em todo o estado, mas apresentou extinção de vagas durante no resultado anual (-3.979). Nova Iguaçu foi a cidade mais afetada (-3.478). Vale ressaltar que o ritmo de fechamento de vagas em 2017 foi menos intenso que em 2015 e 2016. O destaque positivo na região ficou por conta da indústria, que abriu 538 postos em 2017, após 3 anos com saldo negativo. A Construção, sobretudo em obras de Infraestrutura (Itaguaí) e Serviços Especializados para Construção (Nova Iguaçu), e a Indústria de Transformação (outros equipamentos de transporte, em Itaguaí) puxaram o resultado positivo.

Na Baixada II, o fechamento de vagas diminuiu no segundo semestre de 2017, mas nos quatro trimestres o saldo foi negativo. Com isso, a região fechou quase 10 mil vagas em 2017. Duque de Caxias foi a cidade mais afetada (-8.329), apresentando o terceiro pior resultado do estado. O setor de Serviços, principalmente de Alimentação, puxou o resultado negativo.

“A Baixada Fluminense foi uma das regiões do estado mais impactadas pela crise. O mercado de trabalho formal da Baixada I encolheu em 9% e da Baixada II 13% nos últimos três anos, ou seja, 21 mil e 43 mil vagas de emprego a menos na região, enquanto o estado do Rio perdeu 11%, o equivalente a meio milhão. Dessa forma, as pessoas passaram a buscar outras oportunidades empreendendo. O número de microempreendedores cresceu 15%, nas duas Baixadas. E o registro de empresas cadastradas no ano passado no Simples Nacional também aumentou 12%, em Nova Iguaçu e região, e 11%, Duque de Caxias e região. Todos os resultados em relação a 2016”, salientou William Figueiredo.

A pesquisa mostra que os empresários da Baixada Fluminense estão entre os mais otimistas do estado do Rio. A expectativa dos industriais é de aumento da demanda por produtos e, consequentemente, aumento da compra de matéria prima. Os empresários também demostraram confiança em relação ao setor externo, uma vez que 2018 vai ser um ano positivo para as exportações, principalmente para os empresários da Baixada II. Contudo, a lenta retomada no estado inibe contratações e investimentos.

Jonathas Goulart, também coordenador de Estudos Econômicos da FIRJAN, ressaltou que a análise subsidia o empresário na identificação de riscos e oportunidades: “Na expectativa do empresário, o pior já passou, assim como no estado do Rio e no Brasil. E entendendo o mercado atual e o futuro, os industriários terão mais subsídios para decidir se é o momento de comprar novos insumos, empregar, vender ou investir”.

As informações apresentadas são produzidas com base em estatísticas oficiais dos governos federal e estadual; da Sondagem Industrial, que levanta dados regionais trimestralmente; e do Boletim de Investimentos – essas duas publicações são elaboradas pela FIRJAN.

O ciclo de palestras contou com 10 encontros ao todo, abrangendo todas as regiões fluminenses. As apresentações tiveram uma hora de duração cada e foram transmitidas através do Youtube Live, onde os participantes puderam assistir de seus computadores pessoais, de casa ou do trabalho, e puderam ainda interagir com os especialistas. Mesmo após à transmissão ao vivo, o vídeos estão disponíveis no link no Youtube.

Ambiente de negócios é fator chave para o desenvolvimento do município

Ao observar o ambiente de negócios e como a Baixada Fluminense está estruturada para receber novos investimentos, é importante olhar, entre outros fatores, para a segurança, energia e telecomunicações. Sem dúvida, em todo o estado do Rio a segurança pública é um desafio e na Baixada não é diferente.

Em 2017, na Baixada I, a cada 8 horas uma carga foi roubada, o que gerou um prejuízo estimado de R$ 54 milhões. Nova Iguaçu foi a maior influência na região (53%). Na Baixada II, 6 cargas foram roubadas por dia e um prejuízo estimado de R$ 128 milhões no ano. A pesquisa aponta que a cada cinco roubos de carga no estado, um acontece em Duque de Caxias e região.

No indicador de homicídios, a cidade de Nova Iguaçu e região ocuparam o quarto lugar com mais ocorrências no estado. O estudo registrou que a cada 8 horas houve, em média, uma vítima por morte violenta na região. Duque de Caxias e região ocuparam a terceira posição com mais ocorrências no estado. Em média, a cada 7 horas há uma vítima por morte violenta na região.

A qualidade da energia na Baixada Fluminense apresentou resultados melhores do que os do estado. A Baixada I (14,4h número de horas sem energia) foi a segunda melhor e a Baixada II (16,3h número de horas sem energia) a terceira melhor, apesar de ainda estarem longe do ideal.

O mesmo aconteceu com a qualidade de banda larga. A Baixada I registrou a terceira melhor do estado, apesar das distorções. Os piores resultados foram em: Paracambi, Mangaratiba e Itaguaí e os melhores: Nova Iguaçu, Nilópolis e Mesquita. E a Baixada II registrou a segunda melhor qualidade de banda larga do estado, também com distorções. Piores: Magé, Teresópolis e Belford Roxo. Melhores: Duque de Caxias, Guapimirim, São João de Meriti.

Nesse cenário, os esforços para aprimorar essas questões são fundamentais, uma vez que o aumento de investimentos tem a capacidade de gerar emprego e renda na região. “Vale destacar que em um cenário de recuperação econômica, a primeira coisa que sinaliza que o empresário vai retomar investimentos é a melhora da situação financeira, depois a produção aumenta e, por último, há um impacto positivo no mercado de trabalho”, detalha o coordenador de estudos econômicos da Federação das Indústrias, William Figueiredo.

Na Baixada I, estão previstos investimentos de R$ 31,8 bilhões (valor estimado) do Programa de desenvolvimento de submarinos (Prosub), em Itaguaí, de R$ 3,4 bilhões (valor estimado) do Programa de Abastecimento de Água (Cedae) nos municípios de Itaguaí, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e Seropédica, além de outros investimentos em torno de R$ 496,5 milhões, em Nova Iguaçu, Seropédica e Queimados.

E na Baixada II, estão previstos investimentos de R$ 19,7 milhões (valor estimado) para a construção de Centro de Rochas e Fluidos (ANP), em Duque de Caxias, e também de R$ 3,4 bilhões (valor estimado) do Programa de Abastecimento de Água (Cedae) nos municípios Belford Roxo, Duque de Caxias, Magé e São João de Meriti.