Nesta Sexta-feira (26), Alexandre da TV Jaguanum, entrevistou uma moradora ilustre da Serra do Mendanha, Antônia Philippsen Boaventura, Curadora da Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro em Campo Grande RJ e Artista Plástica.  

 

Conheçam a História do Mendanha onde existe um vulcão extinto 

A região do Mendanha teve como primeiros moradores os índios Picinguaba (refúgio dos peixes, em tupi-guarani). Mas o lugar começou mesmo a progredir a partir de 1878, quando foi inaugurada a Estação de Campo Grande, que pertencia à Estrada de Ferro Central do Brasil.

Mendanha é um sub-bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. É subdividido em áreas conhecidas por nomes próprios, mas sem por isso, deixarem de denominar-se também de Mendanha: no centro, os loteamentos Jardim Mendanha e o Novo Mendanha e os Conjunto Votorantin e o Campo Belo; a leste, os loteamentos Caminho do Ceara e o Jardim Nossa Senhora das Graças (também conhecida como “Carobinha”, devido ao nome da rua principal); a noroeste, a Serrinha-Mendanha, tipicamente rural. O restante da área do sub-bairro é composta por disposição aleatória de residências e sítios rurais, a maioria em franca produção agrícola.

Por ser parte integrante do maciço do Mendanha, a região apresenta relevo acidentado, caracterizado por planícies e elevações. Outra característica é o numero expressivos de rios e córregos que nascem na Serra do Mendanha e cortam a área; esses cursos d’água compõem a microbacia da baía de Sepetiba e favorecem as baixas temperaturas comuns na região, principalmente nos meses de junho, julho e agosto.

Segundo os registros do IPLAN, a base da riqueza e do povoamento de Campo Grande ocorreu basicamente devido ao cultivo pioneiro do café . Outro fato que é responsável pela sua importância é ter pertencido a Francisco Freire Allemão, médico que devido ao reconhecimento que tinha como cientista na época, tornou-se o médico particular de D. Pedro II, entre outras funções públicas de relevo.

Entre os séculos XIX e XX, com ao Lei Áurea e a expressiva extinção dos cafezais, a região passa a ter destaque com a lavoura da laranja que parece ter atingido um grande surto por volta de 1926, quando aumentaram as possibilidades de exportação para a Europa Ocidental.

Com o fim do ciclo da laranja, decorrente da crise iniciada durante a Segunda Guerra Mundial, dá-se então início ao cultivo de outros produtos agrícolas e o aparecimento do primeiro loteamento.

Atualmente a população do Mendanha é composta por famílias vinculadas, em grande parte, ao trabalho agrícola na região. Ali habitam e trabalham pessoas de origem brasileira e de origem portuguesa. Grande parte dos portugueses são da Ilha da Madeira. Vale ressaltar que, mesmo em percentual menor, o elemento português exerce uma influência cultural muito grande na região. Sua participação, ainda que em menor número, é bastante expressiva, principalmente, quando consideramos que, dentre estes grupos, o dos portugueses revelam uma posição socioeconômica melhor se comparada a situação dos grupos de brasileiros. De modo geral, o padrão sócio-econômico-cultural é considerado baixo. E assim, a realidade vivenciada, hoje, pela comunidade pouco reflete os méritos alcançados o passado ainda que a importância histórica da região esteja registrada durante o ciclo do café e da laranja.

O maior produtor de chuchu do Estado do RJ

Na baixada do Mendanha vivem cerca de 840 famílias de pequenos agricultores que se dedicam ao cultivo de leguminosas, hortaliças, frutas (principalmente a banana, o caqui e a manga) e, em especial, a exploração do chuchu. O Mendanha é o primeiro produtor de chuchu do Estado do Rio de Janeiro, com 1.000 toneladas por hectare ao mês, numa perfeita conciliação da produção agrícola com o meio ambiente. Parte da família vai para a colheita com os empregados contratados para este período. Como essas pessoas são quase todas de mesma origem e se dedicam as mesmas atividades produtivas, é natural que surjam muitos casamentos entre os membros destas famílias. Os jovens se conhecem nas escolas, nas festas ou pelos caminhos e passam pelas fases de namoro, noivado até o casamento religioso nas igrejas da região.

O Vulcão do Mendanha

As pesquisas durante o século XX apresentam que há aproximadamente 40 milhões de anos (de fato 60 milhões de anos, conforme as datações Ar-Ar em laser-spot), dois vulcões entraram em erupção na proximidade de Nova Iguaçu: um na Serra do Mendanha em Campo Grande, denominado “Chaminé do Lamego”, e o outro na Serra de Madureira em Nova Iguaçu, chamado do “Vulcão de Nova Iguaçu”. As rochas piro clásticas do Mendanha foram apresentadas em 1935 pelo geólogo Alberto Ribeiro Lamego, quando fazia a cartografia do antigo Distrito Federal.

Ele propôs a existência de bombas vulcânicas no morro Manuel José, um local próximo à Cachoeira do Mendanha, porém não apresentou as descrição geológica e litológicas do campo. O arqueólogo Carlos Manes Bandeira opinou que existe a cratera do Vulcão do Mendanha na cabeceira do Rio Guandu-Sapê, porém não apresentou as descrições e provas. Segundo este documento, o vulcão pode ser visto da Estrada do Mendanha e da Avenida Brasil na altura de Campo Grande, sua altura é de aproximadamente 300 metros e sua cratera coberta teria 400 metros de diâmetro. Entretanto, segundo o mapa topográfico do IBGE, Folha Santa Cruz, não existem tais morfologias. Além disso, essas opiniões não foram publicadas em revistas geológicas devidamente classificadas, sendo encontradas nos relatórios internos do Governo.

Em 1980, os geólogos Victor de Carvalho Klein e André Calixto Vieira, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, propuseram um outro ponto de erupção vulcânica, agora na Serra de Madureira, nos limites entre os municípios de Nova Iguaçu e Rio de Janeiro, e que virou atração turística para aventureiros esportivos radicais. Esse ponto de erupção, que se denominou “Vulcão de Nova Iguaçu”, foi amplamente divulgado pela mídia.

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