O tráfico de animais silvestres é o terceiro mercado ilegal mais rentável do Brasil, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e de armas em rentabilidade. Autoridades ligadas ao meio ambiente são categóricas ao afirmar que há casos comprovados do comércio irregular de animais, em geral de aves no Sul Fluminense.

O secretário de Meio Ambiente de Volta Redonda, Maurício Ruiz, afirmou que não há menor dúvida de que exista ramificações do tráfico de animais silvestres na região. A maior prova disso, segundo Ruiz, é a quantidade de animais que são apreendidos nesta região pelos mais diversos órgãos ambientais. Da mesma maneira, ele citou os animais que são direcionados ao CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) em Seropédica ou em Lorena, no interior de São Paulo. “Aqui é realmente um eixo importante deste tipo de delito, principalmente de passeriformes”, confirmou.

De acordo com Ruiz, depois que a guarda ambiental passou a atuar sob o comando da Secretaria de Meio Ambiente já foram realizados mais de mil operações de fiscalização ambiental. Da mesma maneira, a Guarda Ambiental também criou um mecanismo para melhorar o acesso das denúncias.

– Hoje com o ‘Fiscaliza-VR’ a população tem um canal direto e mais eficiente com a Secretaria de Meio Ambiente. Desde que este novo sistema foi implantado, recebemos 30 denúncias relacionadas a animais silvestres, sendo que algumas delas tratam de animais em cativeiro, outra de animais em vias públicas e ainda há algumas de animais silvestres mortos nas rodovias e vias do município. Já em relação entre resgate e apreensões durante o ano de 2019, foram cerca de 15 animais envolvidos – disse Maurício.

O secretário de meio ambiente ressalta que os animais resgatados ou apreendidos em operações são encaminhados ao Zoológico Municipal, onde passam por uma triagem e exames para saber se há possibilidade de reintegração na natureza. Havendo esta possibilidade eles são encaminhados para o Parque Natural Municipal Santa Cecilia do Ingá.

O secretário alertou que para reduzir o tráfico de animais silvestres, é necessário operar em duas vertentes. Uma é no controle da fiscalização e a outra na conscientização. “No caso da conscientização, ela será tanto para animais domésticos estimulando a adoção e não a compra como para animais silvestres, que não são “pet” e não tem que ser domesticados. Esses animais têm que estar na natureza”, explica.

Barra Mansa

Atuando com um efetivo de sete agentes, a guarda ambiental de Barra Mansa também tem atuado e apertado o cerco contra o comércio ilegal de animais silvestres.

De acordo com o Secretário Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Carlos Roberto de Carvalho, muitas denúncias chegam sobre o caso. Segundo ele, a guarda municipal ambiental trabalha em patrulhamento  atendendo as denúncias e realizando rondas nas principais áreas de caça da cidade.

Carlos Roberto ressaltou que a guarda ambiental recolheu e apreendeu em 2018 um total de 71 animais. Em 2019 foram 36 aves. “Todos os animais apreendidos nessas operações são encaminhados para o CETAS, disse.

Apesar das denúncias e operações realizadas pela guarda ambiental, o secretário de Meio Ambiente afirmou que participação da população é fundamental para evitar a caça predatória.

 

Diário do Vale Por Júlio Amaral

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