Material altamente nocivo ao meio ambiente é retirado do aterro sanitário de Maceió e despejado em canavial de Rio Largo

O flagrante de um crime ambiental grave nesta quinta-feira (25) está sendo investigado pela Polícia Civil de Alagoas. Centenas de litros de chorume sem tratamento estão sendo descartados de forma criminosa em uma região de plantio de cana-de-açúcar na cidade de Rio Largo, Região Metropolitana de Maceió.

O repórter Wadson Correia, da TV Ponta Verde, emissora do Sistema Opinião, acompanhou o trabalho das equipes do Instituto do Meio Ambiente e da Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC) que flagraram caminhões-tanque despejando o líquido na natureza.

“O material que é retirado do aterro sanitário de Maceió sem tratamento deveria ser conduzido até o Recife para destinação correta, mas os motoristas dos caminhões estavam desviando a rota e despejando o líquido altamente nocivo para o meio ambiente na área de canavial”, explicou o delegado Cayo Rodrigues.

O delegado explicou ainda que o transporte acontecia três vezes por semana. “Quatro carretas com 48 mil litros cada uma realizavam o transporte. Uma quantidade muito grande de chorume e os motoristas sabiam da conduta ilícita que estavam praticando, tanto que adotavam estratégias caso fossem abordados, simulando que os veículos estavam quebrados. Eles se afastavam dos caminhões enquanto o líquido era despejado”.

O delegado afirma não ter dúvidas de que havia intenção de despejar o material lançando o chorume na natureza, mesmo sabendo que se tratava de crime ambiental. Os dois caminhões que não apresentavam identificação foram apreendidos pelos agentes da Deic.

O consultor do IMA, Manoel Messias, explicou que o chorume é considerado um dos resíduos industriais com um grau de toxidade muito elevado. “Ele contamina o solo e chega ao lençol freático, que contamina a água e a torna imprópria para o consumo humano”, afirmou.

Os técnicos do IMA ficaram impressionados com a situação. Do ponto de vista ambiental, trata-se de infração gravíssima. Amostras do líquido foram coletadas para análise, mas a equipe do órgão ambiental não tem dúvidas de que se trata de chorume. Os resultados das análises das coletas ficam prontos entre 15 e 30 dias e serão encaminhados para compor laudo pericial da Polícia Civil.

As medidas administrativas dependem do andamento do inquérito policial, que também deve autuar os responsáveis pelo crime.

Responsabilidade de prefeitura

De acordo com os técnicos do IMA, a responsabilidade pelo aterro é da Prefeitura de Maceió, da capital que licenciou o empreendimento e deveria realizar fiscalização. Para o órgão ambiental, diante das constantes denúncias de irregularidades, o empreendimento deveria ser licenciado e fiscalizado pelo estado.

Em nota, a Prefeitura de Maceió informou que cobra explicações da empresa contratada para a realização do descarte. Confira na íntegra:

Responsável pela gestão da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Maceió, a Superintendência Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Sudes) informa que está apurando informações a respeito da apreensão realizada nesta quinta-feira (25) pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de veículos a serviço da CTR que estariam realizando o descarte irregular de chorume. 

A Sudes esclarece que, apesar de ser um equipamento da Prefeitura de Maceió, a gestão da CTR acontece por meio de concessão pública, com operação executada pelo Grupo Estre. Todos os esclarecimentos estão sendo cobrados da empresa, que deve se posicionar sobre o caso e será responsabilizada legalmente por qualquer infração ambiental decorrente da operação da CTR. 

A Sudes reitera que o monitoramento em relação à operação da CTR é rigoroso em respeito à legislação ambiental vigente, com relatórios técnicos emitidos periodicamente e devidamente apresentado aos órgãos ambientais fiscalizadores. Todas as medidas cabíveis já estão sendo adotadas para que, conforme haja o esclarecimento desta situação, a empresa seja responsabilizada juridicamente.

A Estre Ambiental, empresa responsável pela operação da Central de Tratamento de Resíduos de Maceió (CTR Maceió) informou que segue rigorosamente todos os procedimentos de segurança e normas ambientais para o tratamento de resíduos. Confira a nota na íntegra:

A Estre Ambiental, responsável pela operação da Central de Tratamento de Resíduos de Maceió (CTR Maceió) informa que segue rigorosamente todos os procedimentos de segurança e normas ambientais para o tratamento de resíduos. Do volume de chorume gerado, metade é tratado dentro do próprio aterro e, outra parte, enviada para tratamento externo, ambos devidamente licenciados pelos órgãos ambientais competentes.

O transporte deste chorume é realizado por uma empresa terceirizada, e sua saída e chegada são rigorosamente controladas, conforme documentação que já está à disposição das autoridades. 

A empresa esclarece ainda que já abriu uma sindicância interna para apurar o ocorrido e confirmar se os veículos e suas cargas, de fato, pertencem à empresa contratada para o transporte dos resíduos do aterro.

Fonte: OP9 O Portal do Sistema Opinião