Alimentados por postagens nas redes sociais de oficiais chineses, os católicos chineses foram responsabilizados por um aparente ressurgimento de casos COVID-19 perto de Pequim, um movimento que um padre local descreveu como sendo semelhante aos tempos do “Imperador Nero”.

Um recente aumento nos casos positivos de COVID-19 na província de Hebei, perto de Pequim, resultou na recolocação da área sob severo bloqueio. Desde 6 de janeiro, mais de 22 milhões de pessoas receberam ordens de permanecer em casa. A capital da província, Shijiazhuang, também colocou seus 11 milhões de habitantes em isolamento, com viagens de entrada e saída da cidade proibidas.

Postagens nas plataformas de mídia social MeWe e Weibo começaram a espalhar acusações contra os católicos por causarem os casos recentes. Os rumores também afirmavam que vários padres europeus e americanos passaram a participar das cerimônias religiosas sem tomar nenhuma medida preventiva, trazendo o vírus com eles.

As acusações, que circularam amplamente desde 6 a 7 de janeiro, mencionavam ainda que “20 dias atrás, a aldeia de Xiao Guozhuang organizou uma atividade religiosa e havia vários padres da Europa e dos Estados Unidos juntos”.

Outro artigo apontou para a aldeia de Xiao Guozhuang, acusando-a de ser um reduto católico, de realizar “atividades misteriosas” regulares e, portanto, responsável por espalhar infecções.

Em resposta aos rumores, “todos os 155 locais religiosos” foram fechados em Pequim, apesar das próprias autoridades revelarem que não houve relatos de infecções nesses locais ou relacionados a eles. Foi prometida uma repressão às “atividades religiosas ilegais em áreas rurais”, sob o pretexto de impedir a propagação do COVID-19.

Fontes: Imprensa Brasil – F7 – Contra Fatos – R7 – BBC