A Marinha do Brasil ira comemorar antecipadamente nesta sexta-feira (11) o Dia do Marinheiro que é comemorado anualmente no dia 13 de Dezembro.

No evento a Marinha do Brasil realizará, no Complexo Naval de Itaguaí, uma apresentação dos resultados do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) que incluirá uma inédita demonstração do estágio de construção ou de testes dos cinco submarinos previstos no programa, iniciado em 2008 e considerado o maior investimento atual do país na área de defesa. 

A cerimônia, denominada “Dia do Marinheiro – PROSUB 2020”, contará com a presença do Presidente Jair Bolsonaro e de outras autoridades do governo, e incluirá as cerimônias de batismo e lançamento do submarino Humaitá (S-41) e de integração das seções do Tonelero (S-42), além de mostrar como está a preparação, para a entrega ao setor operativo da Marinha, do Riachuelo (S-40), o primeiro do programa, já lançado e atualmente passando por testes finais de mar.

A história dos Submarinos no Brasil começa no final do século 19 com o desenvolvimento de protótipos. Em 1904, os submergíveis foram incluídos no primeira programa de Construção Naval da Marinha.

Sete anos depois foi criada uma subcomissão naval brasileira na Europa, na cidade de La Spezia, na Itália, para fiscalizar a construção dos três primeiros submarinos encomendados ao governo italiano.

Essa flotilha, que incluía embarcações da chamada classe F entrou em operação em 1914. Depois da Segunda Guerra, a Marinha passou a se equipar com submarinos americanos das classes Fleet-Type e Guppy.

Só na década de 1980, o Brasil passou a buscar a auto-suficiência para projetar e construir suas próprias embarcações. Foi assinado um contrato de transferência de tecnologia e capacitação técnica com o estaleiro alemão HDW, do qual derivou o submarino Tupi S30. O primeiro submarino construído totalmente no País foi o Tamoio, que foi ao mar em 1994. Nessa época outros dois submarinos foram construídos localmente, o Timbira e o Tapajó.

Já neste século foi ao mar o modelo Tikuna, semelhante externamente ao Tupi, mas possuidor de várias inovações tecnológicas, sobretudo na geração de energia, no sistema de direção de tiro e nos sensores. Com o Riachuelo mais uma etapa evolutiva está sendo cumprida e o próximo salto tecnológico será dado com o submarino nuclear Álvaro Alberto.

O Prosub faz parte da Estratégia Nacional de Defesa e prevê a autossuficiência na produção Brasileira de Submarinos Convencionais e Nucleares. O projeto começou em dezembro de 2009, a partir de uma parceria da empresa francesa DCNS, hoje Naval Group, dona do projeto do Scorpène, com a Marinha Brasileira e envolveu a construção do estaleiro dedicado aos submergíveis em Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Hoje, a frota nacional tem 5 submarinos em operação, sendo que dois estão em período de manutenção, o Timbira e o Tapajó. A frota é insuficiente para atender as necessidades de vigilância e reconhecimento da chamada Amazônia Azul, como os militares chamam o território marítimo brasileiro, que compõe uma área de 4,5 milhões de quilômetros quadrados. A Estratégia Nacional de Defesa prevê um grande reforço na frota naval na próxima década. Prevê também a aquisição de uma embarcação especializada em busca e salvamento. Essa preocupação se acentuou depois do desaparecimento do ARA San Juan, na Argentina, em novembro do ano passado.

O Riachuelo possui algumas modificações em relação ao Scorpène. Enquanto o modelo francês pesa 1717 toneladas e mede 66,4 metros, a versão brasileira pesa 1870 toneladas e mede 72 metros. Ele submerge a até 300 metros de profundidade e atinge uma velocidade de 32 quilômetros por hora.

Segundo a Marinha, o índice de nacionalização de peças da embarcação é de 20%, um percentual considerado baixo e atribuído ao limitado desenvolvimento da indústria nacional de defesa. Segundo o almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite, há um esforço permanente para capacitar fornecedores e permitir que os outros submarinos do projeto Prosub tenham um conteúdo local de componentes mais elevado. Se os submarinos são pouco nacionalizados, as instalações da base de Itaguaí foram erguidas com 95% dos equipamentos produzidos no Brasil. “O Prosub vai dotar o Brasil com tecnologia de ponta e a concretização do programa vai fortalecer diversos setores industriais nacionais”, diz o contra-almirante Luiz Roberto Cavalcanti Valicente, diretor do centro de comunicação da Marinha.

No evento de hoje (11/12) incluirá ainda registros do estágio atual de montagem do Angostura (S-43), o quarto submarino do PROSUB, e dos avanços no desenvolvimento do protótipo da planta de propulsão do Álvaro Alberto (SN-BR), o primeiro submarino convencional brasileiro com propulsão nuclear e cujo lançamento está previsto para o final da década de 2020.

Está prevista, ainda, a presença, na Área Sul do Complexo Naval de Itaguaí, do submarino nuclear USS Vermont, da Marinha dos Estados Unidos e do Navio Doca Multipropósito “Bahia”, da corveta “Barroso” e do submarino “Tupi”, da Marinha do Brasil.

Cerimônia no Complexo Naval de Itaguaí marcou Dia do Marinheiro