As mudanças climáticas põem em perigo a sobrevivência de várias cidades costeiras em todo o mundo. Estima-se que cerca de 300 cidades podem desaparecer em até 80 anos. Confira em 6 exemplos, as vulnerabilidades dessas cidades e o que está sendo feito a respeito.

Veneza inundada

Ao longo dos último anos, diversos estudos tem mostrado a vulnerabilidade de zonas costeiras diante das mudanças climáticas. O problema é que as cidade costeiras abrigam 40% da população mundial. Em 2017, cientístas da NASA publicaram um artigo com a previsão de que cerca de 300 cidades deixarão de existir até 2100. Essas cidades correm o risco de desaparecer devido aos aumentos do nível médio do mar, da erosão costeira e de eventos extremos, como furacões e inundações.

Um exemplo, dado em um texto da NatGeo Espanha, é o do povoado de Fairbourne, no País de Gales. Fairbourne já conta com barreiras de contenção para se proteger do avanço do nível do mar e de tormentas causadas por ciclones extratropicais. No entanto, o governo local decidiu suspender a manutenção dos diques, pelo alto custo. Em 2050, os mecanismos de contenção deixarão de funcionar e os habitantes do povoado deverão abandonar suas casas.

…alguns estudos mostram que o Japão pode perder quase todas suas praias em menos de 50 anos.

Apesar de triste, a destruição de Fairbourne envolve o remanejamento de apenas mil habitantes. A lista da NASA conta com grandes cidades, populosas e de valor cultural inestimável. Confira algumas cidades que poderão não existir em 80 anos, e o que elas estão fazendo para lidar o problema:

1. Veneza (Itália): construída em um terreno pantanoso no meio um sistema lagunar, sempre foi adaptada a conviver com oscilações do nível do mar. No entanto, Veneza tem passado por inundações mais intensas e frequentes nos últimos anos. O projeto Moisés, que consiste na construção de um mega dique para proteger a cidade, não avança a mais de uma década. A cidade é um reduto cultural, sendo patrimônio mundial pela UNESCO.

Malé - capital das Maldivas
Malé, capital das Maldivas, é uma ilha habitata por 1/3 da população do país. Créditos: National Geographic Espanha

2. Malé (Maldivas): capital das Maldivas, construída em uma ilha de apenas 2 km2, é muito vulneráveis a erosão costeira e eventos extremos. A ilha é rodeada por diques, que podem ser insuficientes para lidar com as mudanças até 2100. Antes disso, cerca de 100 mil pessoas, 1/3 de toda população das Maldivas, teriam que ser remanejadas para outras localidades.

3. São Petersburgo (Rússia): segunda cidade mais povoada do país, com mais de 5 milhões de habitantes. São Petersburgo está exposta às tempestades severas do mar Báltico, que causam inundações cada vez mais graves na cidade. O dique de proteção da cidade foi concluído em 2011, mas pode não ser suficiente já que a cidade foi erguida na foz do Rio Neva, um terreno frágil e muito vulnerável a inundações e erosões.

Foz do Rio Neva em São Petersburgo
São Petersburgo, na Rússica esta em risco devido às severas tormentas do mar Báltico. Créditos: National Geographic Espanha

4. Tokyo (Japão): capital do Japão, Tokyo foi construída em uma baía, nos arredores de 4 grandes rios. O aumento do nível médio do mar somado às épocas de intensas chuvas e tufões tende a intensificar as inundações. Considerando os mesmos fatores, alguns estudos mostram que o Japão pode perder quase todas suas praias em menos de 50 anos.

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5. Nova Orleans (EUA): cidade extremamente vulnerável aos efeitos de tempestades tropicais e furacões, assim como toda as cidades caribenha e costa atlântica dos EUA. O que agrava a situação é que Nova Orleans se encontra no delta (foz) do Rio Mississippi, passando por problemas similares a São Petersburgo e Tokyo.

6. Jakarta (Indonésia): capital da Indonésia, Jakarta é a cidade que está sumindo mais rápido, perdendo 25 cm por ano nas zonas mais afetadas de sua costa. Nesse ritmo, a cidade poderia desaparecer até 2050. Para piorar situação, a cidade é atravessada por 13 rios que transbordam nas épocas chuvosas. Um obra gigantesca está em andamento para a construção de uma lagoa que armazenará o excesso de água, evitando inundações.

 

Fonte: Tempo

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