Nos últimos dez anos, a área do entorno da Baía de Sepetiba recebeu inúmeros empreendimentos, aquecendo a economia local, mas também provocando reflexos socioambientais e um grande passivo ambiental para a baía. Podemos imaginar que cada empresa instalada na região passe a desenvolver pelo menos um projeto voltado à comunidade, seja para treinamento profissional, conservação do meio ambiente, sustentabilidade para pequenos agricultores, produção de alimentos ou estímulo à cultura local, além de projetos na área social impactando de forma efetiva comunidades e a população do entorno da baía. Agora imagine, o impacto que essas mesmas ações poderiam alcançar se fossem conduzidas coletivamente por várias empresas, em parceria com órgãos públicos e privados. Essa é a ideia que deu origem ao Polo Tecnológico do Mar.

“Hoje cada empresa está olhando um lado social, tem um projeto específico, único. A ideia é pegar os projetos que uma ou duas empresas estão fazendo e transformar em um projeto mais robusto”, explicou Vinicius dos Anjos, coordenador de projetos da Itaguaí Construções Navais (ICN), formado em engenharia Química pela Universidade Rural.

Vinícius dos Anjos defende que o programa pode fortalecer o desenvolvimento das cidades vizinhas à Baía de Sepetiba. “A ideia do programa é mitigar os impactos de cada um desses empreendimentos estabelecidos na região. Além disso, quando nós começamos a fortalecer os empreendimentos locais, trazemos os fornecedores dessas grandes empresas para perto, diminuímos custos e ainda inserimos a mão de obra local, fazendo a moeda girar dentro da região. Consequentemente, vai ter uma melhoria em infraestrutura, bem-estar social e serviços públicos”.

Foto: Jaqueline Suarez/Proext

Após um ano de pesquisas, a proposta para criação do Polo Tecnológico do Mar foi apresentada na última quinta-feira (14), na sede da ICN, em Itaguaí. O projeto foi discutido entre empresas privadas, instituições de fomento ao empreendedorismo e a conservação ambiental, além de empresas públicas ligadas à educação, pesquisa e cultura. O reitor da UFRRJ Ricardo Berbara participou do encontro, acompanhado por  docentes de algumas áreas da instituição.

Parcerias, pesquisa e extensão

“A Rural gera tecnologias de ponta em várias áreas ligadas às empresas que atuam na Baía de Sepetiba e também gera tecnologias sociais, seja no campo dos projetos de pesquisa e desenvolvimento, como também, no campo da inovação social. A universidade tem expertise e já desenvolve junto às organizações sociais e iniciativa privada inúmeras ações semelhantes”, destacou o reitor Ricardo Berbara, que considera estratégica a participação da Universidade Rural neste programa. 

Uma dessas ações é o projeto de pesquisa e extensão do Departamento de Tecnologia de Alimentos do Instituto de Tecnologia (IT), que desenvolve trabalhos com colônias de pescadores na área da Baía de Sepetiba. A proposta é buscar formas alternativas para a comercialização de peixes possuem baixa aceitação para o consumo direto ao natural, transformando-os em novos produtos, como hambúrgueres e sticks, gerando renda e aumentando a capacidade produtiva dos pescadores locais. Traçar uma ponte entre ações como esta e o programa Polo Tecnológico do Mar é um dos objetivos da participação da Universidade Rural no programa.

Foto: Jaqueline Suarez/Proext
Foto: Jaqueline Suarez/Proext

Para o professor Pedro Paulo de Oliveira, diretor do IT, constitui obrigação da universidade participar e contribuir com atitudes que possam impactar positivamente a sociedade e o meio ambiente. “Esse tipo de polo tecnológico não vai apenas atrair empresas para a região, mas também trazer sustentabilidade aos ecossistemas da área. Atrair empresas significa atrair empregos para as pessoas e melhorar as condições de quem vive ou trabalha no entorno. A tecnologia de alimentos já tem trabalhos envolvendo a Baía de Sepetiba, os cursos de engenharia química, ambiental, agrícola e arquitetura, bem como os cursos de biologia, agronomia, engenharia florestal e zootecnia estão ligados diretamente ao projeto do polo, isso cria espaço para que os professores e alunos desenvolvam projetos de pesquisa e extensão dentro de suas áreas”.  

A expectativa é que novos encontros aconteçam nos próximos meses para efetivar a criação do Polo Tecnológico do Mar Baía de Sepetiba. Para a chefe do Departamento de Relações Comunitárias e Interinstitucionais da Pró-reitoria de Extensão (DRCI), Josane Resende, a aproximação entre a universidade e as empresas participantes do programa é fundamental para trazer possíveis investimentos para vários setores dentro da Universidade.

“A Rural tem vários professores com expertise em áreas que podem ser prospectadas para participar em projetos de pesquisa e extensão junto ao Polo, criando uma interação positiva que trará muitos benefícios à sociedade e a comunidade acadêmica. A ideia é que a Pró-reitoria de Extensão participe estabelecendo uma ponte entre os professores e as empresas, oferecendo suporte aos docentes interessados em desenvolver projetos de pesquisa e extensão que envolvam repasse de recursos financeiros. A nossa missão é concretizar acordos de cooperação maiores, por meio das quais nós possamos equipar nossos laboratórios, oferecer bolsas aos estudantes e, como contrapartida, a universidade Rural entrará com o capital humano intelectual e a infraestrutura física necessário ao desenvolvimento dos projetos ”, explicou Josane.

Texto: Comunicação Proext/UFRRJ