Os painéis de azulejos, foram requisitados por Heitor Grillo (1902/1971). Este que era Secretário da Agricultura do presidente Vargas e diretor da ENA (Escola Nacional de Agronomia), prestes a se tornar Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O mesmo era casado com a poetisa Cecília Meireles (1901/1964), amiga da Maria Helena Vieira da Silva (artista responsável pela confecção dos painéis), desde que se hospedou no antigo hotel internacional, junto com poeta Murilo Mendes (1901-1975) e pintor Carlos Scliar (1920 – 2001).

A Artista Franco-Portuguesa Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), vieira da Silva como era conhecida, teve sua genialidade reconhecida ainda em vida. Desde pequena, manifestou afeição pela pintura e música. Em 1919 aos 11 onze anos começar a estudar desenho e pintura com Emília Santos Braga e Armando Lucena. Em 1924 começa a frequentar as aulas de Anatomia Artística da Escola de Belas Artes em Lisboa. Casou-se com o artista húngaro Arpad Szenes (1887-1985), que por ser judeu, tiveram que fugir da guerra (nazismo), que aniquilava a Europa. Indo para Portugal que negou asilo ao casal Vieira da Silva-Szenes, que se retira da Europa e toma a decisão de ir morar no Brasil (década de 40).

Os painéis foram montados no local onde funcionou o Restaurante Universitário (RU), que recebeu o título de “Quilometro 44” em homenagem à localização da nova sede em Seropédica/Rj, que se caracteriza como uma das obras mais memoráveis da artista, em toda sua carreira, em parceria com seu esposo. Eles trazem em sua composição características de figuração com parâmetros da abstração. Característica essa, marcante nas obras da artista Maria Helena Vieira da Silva, onde explicita certo cuidado em transparecer um duplo sentido do espaço e da profundidade, produzidos acima de uma base plana. Resultado do emprego de uma malha quadriculada, adquirido através de linhas e de suas interseções, que geram planos semelhantes a quadrados coloridos.

Os painéis pertencentes à instituição possuem aproximadamente 10m², são compostos de 8 oito partes sendo que a maior delas possui duas meninas colhendo frutos de uma laranjeira de 3 x 3 metros, mais duas figuras humanas laterais e cinco imagens menores, entre as quais uma rosa dos ventos de aproximadamente 3 x 0,5 metros cada. Os mesmos têm motivado, até os dias atuais, gerações de estudantes na colheita dos melhores frutos desta árvore do conhecimento, representativa da instituição. Mas com ao passar do tempo, os painéis estão se degradando, devido ao alto índice de umidade e falta de informação, havendo um avançado processo de degradação patrimônio cultural assim como a memória da artista.

Sua estadia no Brasil fez com que suas obras fossem reconhecidas, como por exemplo, nos painéis de azulejos de Burle Marx (1909-1994) e na obra de Carlos Sciliar e Athos Bulcão (1918), que proporciona os prêmios na 2ª e 6ª Bienais Internacionais de São Paulo.

Por: Clayton de Oliveira

Residente em Restauro