Esse trabalho foi desenvolvido em uma parceria e com muita dedicação à partir da ideia da estudante e super parceira Graziele Balieiro que, apesar de não ser mãe, reconheceu nesse grupo de mulheres uma gente que carece e merece ajuda e visibilidade no sentido da busca pela construção de uma identidade através da imagem. Durante 5 meses nos aproximamos do grupo e as conhecemos não só como mães, mas como estudantes. Como mulheres fortes! A Graziele frequentou as reuniões, integrou e ainda integra equipes de escala nas creches parentais e nos últimos dois meses nós começamos a colocar o projeto em prática fazendo as fotografias seguindo a direção de produção da Graziele. O trabalho é o que me cobrou maior dedicação em toda minha vida na fotografia. E é o que me proporcionou mais aprendizado e evolução. Eu espero que esse trabalho toque vocês como nos tocou. Segue agora um texto elaborado pela própria Graziele Balieiro acerca do que é o Coletivo de Pais e Mães da UFRRJ e o projeto em si:

“O Coletivo de Pais e Mães da UFRRJ (COPAMA) surgiu no ano de 2014, um tempo depois surgir a notícia da possível expulsão das mães-universitárias dos alojamentos. Desde então o coletivo reivindica o direito à permanência estudantil para discentes pais e mães na UFRRJ. E com saldo positivo. No lugar da expulsão das mães universitárias, o coletivo conseguiu, com muita luta, que essas mulheres continuassem no alojamento.

A luta continua para que todas as mães universitárias consigam um quarto em que possam viver com os seus filhos. O perfil cada vez mais frequente de mulher, universitária e mãe na UFRRJ demanda uma construção de política de permanência estudantil para permitir o acesso pleno ao ensino. É comum acreditar que a vida da mulher acabou a partir do momento que a gravidez é uma realidade para ela, com a mesma tendo que abandonar os seus estudos em consequência do nascimento de uma criança. O medo e a insegurança se tornam comúns, e em um momento de tanta fragilidade com a recém-descoberta de que se será mãe todo apoio é necessário. Infelizmente muitas mães ruralinas não encontram o suporte necessário para continuar na universidade. No entanto a mulher, mãe e universitária contradiz a todos que pensam que a universidade não é lugar de mãe e mostra diariamente a todos que a Rural é sim o lugar dela.

Uma das estratégias criadas pelo COPAMA é o revezamento de cuidados das crianças que não estão na creche municipal para que as mães universitárias possam assistir às aulas sem precisar levar seu/sua filho(a) à sala de aula. A creche parental provisória é uma estratégia criadas por mães do COPAMA para que elas possam estudar, fazendo o rodízio para cuidado dos pequenos ruralinos no quarto de uma das mães.

A partir o olhar atencioso sobre essas questões surgiu o projeto fotográfico “Mães ruralinas: a luta pela permanência na universidade” com a finalidade de apresentar à comunidade acadêmica a rotina de luta diária dessas mulheres na UFRRJ. É de extrema importância que sejam criadas políticas públicas específicas para que a mãe universitária possa ter acesso à educação, seja a universitária que engravidou ou a mulher mãe que ainda não teve a oportunidade de iniciar uma graduação. A construção de assistência estudantil e de creche universitária evitaria a evasão escolar e ampliaria o acesso ao ensino superior.”

Exposição:  Centro de Memória da UFRRJ

Idealização: Grazi Balieiro
Projeto Fotográfico por: Tuyuka Lara e Grazi Balieiro
Produção Executiva do Projeto: Grazi Balieiro
Fotografias e Texto: Tuyuka Lara 
Apoio: Coletivo Seu Gusta — em UFRRJ (próximo

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